Ministro Pedro Parente afirma que o Operador Nacional do Sistema Elétrico não repassou ao Governo informações sobre o possível colapso
RIO – O ministro da Casa Civil, Pedro Parente, que se afastou temporariamente do cargo para assumir a presidência da Câmara de Gestão da Crise de Energia, disse ontem que o Governo só teve a exata dimensão da gravidade da crise energética na última terça-feira, depois da reunião do Conselho Nacional de Energia Elétrica (CNPE). Segundo o ministro até então não havia informação, indício de que a situação poderia chegar àquilo que agora se diz.
Parente salientou que até novembro de 2000 as informações fornecidas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) eram de que o cenário energético para 2001 era melhor do que o de 2000, mesmo com um acréscimo de demanda de 5%. “O que tivemos a partir daí foram meses muito ruins, os piores em 70 anos”, disse o ministro.
O ONS, segundo argumentou Parente, não alertou sobre qualquer risco acima de 5% na oferta de energia. A demora, portanto, na tomada de decisão sobre a redução de demanda ocorreu, ainda conforme avaliação do ministro, porque o Governo ficou esperando pelas chuvas que não chegaram. “O que eu creio que tenha adiado (a decisão de racionar) foi a necessidade de esperar o final do período de chuvas, em abril.”
O impacto do racionamento na economia, segundo ele, será inevitável, mas o ministro repetiu por diversas vezes que o Governo não referenda nenhuma das projeções apresentadas até agora por institutos de pesquisa, bancos de investimentos ou analistas do setor. “Não há dúvidas de que haverá reflexos (na economia), mas temos de avaliar medidas para atenuar o impacto negativo no nível de crescimento, emprego e renda.” Segundo Parente, ainda não há definição também da extensão do corte que, pelas estimativas de mercado, poderá variar entre 20% e 35%.
Apesar de frisar que nem o presidente Fernando Henrique Cardoso nem qualquer integrante do primeiro escalão do Governo foi alertado sobre a real situação do País. Parente evitou, contudo, fazer críticas diretas à direção do ONS ou a qualquer outro órgão envolvido no acompanhamento da questão energética. “O que o Governo tinha era o que o ONS informou. A câmara não tem a missão de dizer de quem é a responsabilidade, mas de garantir que a questão se resolva.”