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RACIONAMENTO III Racionamento de energia eleva o dólar e derruba a bolsa SÃO PAULO A indefinida renegociação da dívida argentina e o temor dos efeitos do racionamento de energia no Brasil voltaram a trazer nervosismo ao mercado financeiro, que registrou disparada do dólar e forte desvalorização das ações. A moeda americana fechou ontem em alta de 1,10%, cotado a R$ 2,282 na compra e R$ 2,283 na venda, depois de bater na máxima de R$ 2,298. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) terminou o dia em queda de 3,33% (com 14.493 pontos) e volume financeiro muito fraco, de apenas R$ 478,4 milhões. O fim da CPI da Corrução, praticamente a única notícia concreta do dia, não teve tempo de ser repercutida. Rumores sobre dificuldades da Argentina na negociação do swap (troca) de seus títulos de curto prazo provocaram fuga expressiva dos investidores, que também venderam títulos brasileiros, geralmente mais líquidos. O brasileiro C-Bond chegou a cair 2,73%, e fechou cotado a 74,06% do seu valor de face, com queda de 1,98%. Os investidores estão estressados e, diante das indefinições, estão preferindo sair de suas posições (em títulos de países como Argentina e Brasil), disse Felipe Brandão, diretor de mercados emergentes da corretora López León. Foram apenas rumores, mas seria extremamente negativo se um eventual cancelamento da troca de títulos se concretizasse. No pior momento do dia, o dólar comercial chegou a bater a máxima de R$ 2,298 na ponta de venda (+1,77%) e a Bovespa, uma queda de 3,89%. Com o resultado de ontem, a bolsa paulista passa a acumular queda de 2,8% no mês e de 5% no ano. A moeda americana, por sua vez, já subiu 3,77% em maio e 17,08% no ano. Assim como o dólar, as taxas de juros também se ajustaram para cima. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o Depósito Interfinanceiro (DI) de junho, que projeta os juros deste mês, fechou em 16,96% anuais, o que indica aposta na possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) voltar a elevar a taxa Selic, hoje em 16,25% ao ano. Mesmo com toda a turbulência, o Banco Central divulgou novo edital de leilão de títulos prefixados. Serão vendidos na próxima terça-feira R$ 500 milhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 3 de outubro deste ano, um lote idêntico ao que foi vendido nesta semana. Devido à instabilidade dos mercados, os leilões de títulos prefixados haviam sido suspensos por seis semanas e só foram retomados na última terça-feira. A preocupação com a crise de energia no País ganha cada vez mais força na Bovespa, prejudicando empresas do setor de energia (geradoras e distribuidoras) e companhias que precisam de muita energia para produzir. Tiveram fortes baixas hoje ações como Eletropaulo PN (-8,5%), Gerdau PN (-7,2%), Usiminas PNA (-6,6%), Eletrobrás PNB (-5,33%) e Cemig PN (-4,01%). Entre as ações mais negociadas, destacaram-se Telemar PN (-4,27%), Petrobras PN (-1,39%), Petrobras ON (-1,27%) e Vale do Rio Doce PNA (-1,57%). |
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