Em termos de reservatório e de hidrologia, a situação do Sudeste pode ser considerada melhor do que a do Nordeste. Embora, o principal reservatório da região, o do sistema Furnas, esteja com apenas 16,55% de sua capacidade de armazenamento, a dependência do sistema elétrico local desse reservatório é bem menor.
A grande diferença entre as duas regiões é que o funcionamento das hidrelétricas nordestinas depende apenas do regime do Rio São Francisco e dos seus três reservatórios: Três Marias, Sobradinho e Itaparica. Enquanto no Sudeste, o sistema é formado por cinco rios e 17 reservatórios. Em alguns deles, o nível está acima dos 70%, quando apenas Itaparica apresenta esse percentual.
Além disso, o sistema da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) – o único que gera energia no Nordeste – é composto por apenas nove usinas de grande porte: Xingó, Sobradinho, Apolônio Sales, Luiz Gonzaga, Boa Esperança e as quatro do complexo Paulo Afonso. Das duas térmicas que a Chesf mantém, Bongi e Camaçari (BA), apenas a última é acionada esporadicamente, quando há necessidade de aumentar o volume de geração de energia.
PARQUE GERADOR – Já no Sudeste, se concentram pouco mais de 40 hidrelétricas, todas com produção acima de 30 megawatts (MW). O sistema também é composto por oito usinas termelétricas, todas também com produção superior a 30 MW. Essa menor dependência do sistema hidrelétrico pode se tornar um grande diferencial para a região em tempos de poucas chuvas e a conseqüente crise energética como a que o Brasil vive este ano.
Além disso, as indústrias daquela região estão bem mais avançadas na implantação de projetos de co-geração do que as do Nordeste.
É o caso, por exemplo, da Ambev e da Internacional Paper do Brasil. Ambas estão elaborando projetos de co-geração com os quais irão se tornar auto-suficientes em energia, além de usar o vapor residual da produção energética para movimentar os seus maquinários.
Em Pernambuco, um exemplo é a fábrica da Coca-Cola de Suape, onde foi instalada uma usina de co-geração. Também a Petroflex em parceria com a Rhodia e Alcoolquímica estão estudando a implantação de uma usina conjunta que vai gerar energia para as três empresas. A responsável pelo projeto será a Energy Works – subsidiária do grupo espanhol Iberdrola que também detém o controle acionário da Celpe.