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Degradação urbana Temos que reconhecer que tem melhorado um pouco o cuidado com a nossa cidade: praças, avenidas, monumentos, abertura de opções para o trânsito etc. Mas ainda resta um longo caminho a percorrer até podermos voltar a nos orgulhar de nossa capital, não ter vergonha de mostrá-la aos visitantes. A diminuição drástica de postos de trabalho no campo causou um desequilíbrio imenso, não somente no Recife, mas em todas as grandes cidades do país, aonde acorreram em busca de emprego milhões de retirantes, das secas e do desemprego. Brotaram aqui bairros inteiros que não existiam; áreas de risco, como margens de rios e canais, encostas de morros, foram invadidos indiscriminadamente, com a omissão e conivência dos poderes públicos. A especulação imobiliária aguçou-se, e intensificou-se o aterro de mangues e braços de rios. Mas queremos nos referir aqui, especificamente, à deterioração e degradação de vias e bairros antigos, quer do centro da cidade ou da periferia. A Conde da Boa Vista, convertida de rua estreita em larga avenida, nas administrações de Pelópidas Silveira e Miguel Arraes na PCR, atingiu um grau de degradação urbana difícil de tolerar. Dezenas de linhas de ônibus trafegam por ali desordenadamente, ocupando todas as faixas de rolamento; táxis fazem ponto onde bem querem seus motoristas; a falta de um transporte urbano de massa aceitável leva centenas de automóveis a disputar, com táxis e ônibus, um espaço para circular; o comércio informal, dito ambulante, porém, com pontos fixos, ocupa paradas de ônibus e calçadas, dificultando o ir e vir dos pedestres, até impossibilitando, empurrando-os para disputar espaço com os veículos no leito da rua; a conservação das calçadas não existe tornando a circulação de pedestres um corrida de obstáculos. Prédios caprichados, construídos para abrigar escritórios e até residências, estão perdendo sua clientela. Alguns já viraram pardieiros. É a favelização do centro da cidade. O mesmo se pode dizer da Avenida Guararapes, concebida e construída nos anos 40 para ser vitrine e cartão postal da cidade, abrigando o comando das tropas americanas estacionadas no Recife (hoje Edifício Bandepe), o United States Officers Club (onde hoje é o prédio dos Correios), cinemas, escritórios requintados, o Bar Savoy (hoje uma sombra), cantado por Carlos Pena Filho. Está pior que a Conde da Boa Vista. Tornou-se quartel general de marginais de todos os naipes, que assaltam transeuntes, traficam drogas, infernizam a vida de uma população já assaz sacrificada. O leito da via pública já está mais alto que as calçadas (uma inovação típica do Recife), formando valas junto ao meio fio, onde se acumula lixo e onde tombam anciãos desprevenidos. Degradação semelhante atinge as avenidas Norte, Caxangá e tantas outras vias públicas. Existem projetos para revitalizar os bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista. Um projeto muito bem elaborado, para revitalizar a Avenida Caxangá, jaz nos arquivos da PCR. Já é tempo de esses projetos se tornarem realidade. A restauração e a revitalização do Recife Antigo, com o apoio da iniciativa privada, estão aí para mostrar que, no Brasil, em se plantando, tudo dá. Enquanto sucessivas administrações se concentraram em melhorar a urbanização de Boa Viagem, outros bairros, o centro da cidade, ficaram até hoje inexplicavelmente esquecidos. A Missão Empresarial do Nordeste, contando com o apoio logístico da Embaixada do Brasil na Holanda, foi idealizada pelo economista pernambucano Josué Mussalém. Ele é um entusiasta do intercâmbio econômico direto dos empresários da Região com países interessados na produção local. Não lhe parece uma limitação o fato de o território da Holanda ser menos da metade do pernambucano. O que conta, no caso, é a mentalidade mercantilística, comprovada através da história do mundo ocidental a partir do Século XVI, e sua posição estratégica entre os estados europeus, além da constatação de que se trata de um país de renda per capita seis vezes maior do que a do Brasil. No caso da ligação dos empresários holandeses com os nordestinos, há também o simbolismo representado pela presença da Companhia das Índias Ocidentais, cujos navios invadiram Pernambuco em 1630, aqui permanecendo até 1654. Sabemos que instalaram no Recife um governo progressista, que chegou a financiar a instalação de engenhos de açúcar e a contribuir para a ampliação de outros cultivos, como o algodão e o fumo, para exportação. Agora, não é mais
nenhuma companhia constituída por capitais holandeses
que está tentando constituir um governo no Brasil, e sim
empresas modernas e bancos que querem estreitar negócios
entre os dois países. E escolheram Pernambuco como
parceiro preferencial. |
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