Em Boa Viagem, um final de semana ensolarado também é sinônimo de criatividade. Na areia da praia, entre os diversos vendedores que oferecem de amendoim a caldinho de feijão, estão os que compõem o cenário com pipas coloridas, pequenos tratores construídos com garrafas plásticas de refrigerante, dentre outras coisas, comercializadas a preços simbólicos: R$1, em média.
É o caso de Isalmir Roque dos Santos e Maria Rizoni da Silva. Além de usar a imaginação para criar tratores, eles preservam o meio ambiente através da reciclagem. Entre um mergulho e outro também é possível encontrar Seu Ulisses Padilha. Ele produz e vende pipas há 20 anos e vibra com o resultado do trabalho. Sempre que pode, procura levar algo criativo à praia e, no período de chuva, comercializa pião e bolinhas de gude no bairro onde mora.
EDUCATIVOS - A simpatia de Seu Ulisses geralmente conquista os banhistas, como o coordenador de sistemas Dimítrius Fonseca e a psicóloga Sílvia Emerenciano. “O mercado incentiva o brinquedo industrializado. Mas é importante estimular a criatividade da criança, para que ela também faça o próprio objeto. É bom, ainda, para os pais relembrarem a infância”, afirma Dimítrius. Já Sílvia lembra a importância da linha comercial, pois dentro dela também há os brinquedos educativos, igualmente relevantes na formação da criança.
E, por falar nisso, bem perto da praia, na quarta etapa do Shopping Center Recife, o público pode encontrar um quiosque da Art Gravatá, com esse tipo de brinquedo. Fantoches, jogos de encaixe e outras variedades são adquiridos por preços que variam entre R$ 3 e R$ 200.
Para a arte-educadora Cristina Romeiro, atividades como essa despertam a sensibilidade da criança, que fica com uma visão de mundo diferente.”Cada pessoa tem uma experiência distinta. É preciso estar atento para oferecer algo atrativo e desenvolver uma aptidão ainda pouco explorada nela”, explica.
Já a professora e atriz Katilini de Oliveira sempre incentiva o filho Matheus, de quatro anos, a brincar com o Mané Gostoso. Na análise dela, o grande número de informações recebidas pelos meios de comunicação acaba desviando a atenção da criança das brincadeiras de roda e outras atividades do gênero.”Geralmente os jogos industrializados estimulam a violência e a competição, onde um precisa ser melhor que o outro. Com os populares isso não acontece”, pondera.
DECORATIVOS – Saindo um pouco do lado educativo, os brinquedos populares ainda se mostram versáteis cumprindo outra função: a de objetos decorativos. Na opinião da arquiteta Dulce Dias, usando a criatividade é possível conseguir ambientes muito interessantes. “No meio de uma biblioteca o ciclista matuto ou uma bruxinha de pano podem formar uma bela composição, além de ser inusitado”, sugere.