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Maricota aposta na
cozinha criativa
Durante a realização do Recife Sabor 2001, sábado passado, no Centro de Convenções, ficou clara a tendência que, há anos, vem tomando conta do cenário gastronômico local e, agora, mostra-se ainda mais forte. Por falta de nome melhor, chamemos essa tendência de “barroco regional”. Querem ver? É assim. Toma-se nas mãos todos os elementos da tradicional culinária nordestina, principalmente a pernambucana, e adiciona-se à ela elementos que, até então, caminhavam separadamente. Frutas são a pedra de toque dessa nova linha culinária. Elas estão presentes em tudo: arroz, carnes, molhos, peixes. O paladar local parece ter acordado de uma grande ressaca e sentido uma necessidade premente de frutas, muitas frutas.
O vencedor da categoria prato principal é um bom exemplo dessa nova abordagem. Tendo que, obrigatoriamente, utilizar um corte de cabrito para compor seu prato, o chef José Alves da Silva, do Restaurante Talude, banhou a sua carne com um molho espesso e adocicado, colocou-a por cima de uma tapioca e acompanhou-a por arroz com lâminas de batata-doce. Mais nouveau regional impossível.
A mais nova casa da cidade, o restaurante Maricota, é um desmembramento do Talude e pode até ser encarado como a cozinha-laboratório que o Talude – com sua proposta mais conservadora – nunca pôde implementar, salvo em concursos, a exemplo do Recife Sabor. À frente da cozinha, Adriana Lopes dá asas à criatividade e monta pratos que devem agradar ao gosto geral. Há um certo peso étnico neles, mas há também a junção de sabores inegavelmente irresistíveis. Os pastéis da Sé, por exemplo, uma clara citação às tapioqueiras do Alto da Sé, em Olinda, são pequenas tapiocas recheadas com purê de macaxeira, charque e queijo coalho, banhadas com molho à base de shoyu e mel.
Segundo essa nova vertente, embora os pratos mantenham a rusticidade que os caracterizam, eles ganham um visual mais bem cuidado. Um dos pratos do cardápio do Maricota, o Camarão Tapioso, é um exemplo feliz de elementos, aparentemente díspares, que se combinam às mil maravilhas: massa de tapioca aberta, coberta com camarão, queijo roquefort, jerimum e espinafre misturados ao arroz – cremoso, delicado e absolutamente compatível. O peixe Chiquita Bacana, nada mais é que o peixe com molho de ervas, mas o arroz de batata doce (o mesmo utilizado no concurso) e a farofa no próprio molho fazem toda a diferença.
O Maricota vai precisar travar uma certa batalha com o ponto escolhido para se instalar (se a casa lotar, o estacionamento pode se tornar precário) e ainda precisa de um certo toque que o torne menos impessoal (está sendo providenciado com a aquisição de artesanato, objetos de arte e o fundamental toque das plantas), mas a cozinha parece que vai garantir a preferência do gourmet.
Maricota – Rua Padre Roma, 128, Parnamirim, fone: 3267.9740. Segunda-feira, apenas para almoço. De terça a domingo, para almoço e jantar
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Jornal do Commercio
Recife - 11.05.2001 Sexta-feira

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