Desorganização administrativa e caos na contabilidade das federações de futebol foi o que os integrantes da CPI da CBF-Nike constataram, durante audiência na última quinta-feira, em Manaus. Os deputados ouviram os presidentes das federações estaduais de Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Roraima e Rondônia. Segundo a comissão, esta é uma situação encontrada não só no Norte do país, mas também nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde estiveram esta semana.
Em Manaus, os cartolas tiveram muito o que explicar aos deputados. Eles não têm livros de contabilidade e recebem dinheiro da CBF sem registrá-lo. Muitas vezes, usam os recursos em proveito próprio. É o caso do presidente da Federação do Acre, Antônio Aquino Lopes. Candidato a deputado estadual em 1998, ele confirmou no depoimento que recebeu R$ 57 mil para serem usados na campanha.
De acordo com o sub-relator de federações, na CPI, deputado Doutor Rosinha (PT-PR), nada mais surpreenderá à comissão. “Infelizmente, pelo que a gente já viu, de Sul a Norte, e também no Centro do País, a situação é bastante crítica”, disse Rosinha. “O que muitas federações nos apresentaram não pode ser chamado de contabilidade”, desabafou.
A CPI constatou, em Manaus, falta de livro contábil e até mesmo de cópia dos cheques emitidos. “Muitas vezes os dirigentes usam os recursos em proveito próprio”, afirmou Doutor Rosinha, quando lembrou a situação do presidente da Federação Amazonense, Dissica Valério Tomaz, que recebeu R$ 290 mil da CBF, mas não depositou o dinheiro na conta da federação.
“Outro cheque de R$ 40 mil transferido da CBF para a federação acabou sendo depositado na conta de uma concessionária de automóveis”, destacou Rosinha. A CPI também descobriu sonegação de impostos, de contribuição previdenciária e do FGTS. “Quando existe a desorganização, fica a dúvida se é mesmo desorganização ou se é fraude”, constatou outro sub-relator, o deputado Olímpio Pires (PDT-MG), que acompanha as investigações.
Pires e Rosinha deram prazo de uma semana para que as federações forneçam à CPI o registro da movimentação financeira. “Se eles não cumprirem esse prazo os dirigentes serão apontados no relatório final como autores das fraudes no futebol”, ameaçou Pires.