Modernos e práticos, esses espaços começam a se popularizar no Brasil. Recife ganha seu primeiro edifício em dois anos
PRISCILLA DANTAS
Criados nos Estados Unidos, na década de 60, em plena Pop Art, quando artistas transformavam antigos armazéns em residências e locais de trabalho, os lofts são hoje uma das mais novas tendências do mercado imobiliário. Sinônimo de modernidade e praticidade, eles representam a moradia dos sonhos dos cosmopolitas de plantão.
O arquiteto Paulo Veloso afirma que a proposta de reciclagem de ambientes antigos tem caído no gosto das metrópoles por causa de dois motivos. Um está ligado à valorização do ambiente a partir do contraste do velho com o contemporâneo, o que, para ele, é uma linha de sucesso no mercado decorativo. O outro se relaciona à questão da praticidade e da multifuncionalidade do loft que, conforme o arquiteto, são as principais armas contra o desconforto. “O número de construções de espaços com esse conceito vem crescendo não só nos Estados Unidos e na Europa, mas em toda a América Latina. Buenos Aires, por exemplo, desponta como uma das capitais mais conhecidas no comércio de lofts. Atrás dela vem o Brasil, que tem no Sudeste do País um mercado bastante promissor", observa Veloso. Ele destaca ainda o perfil dos moradores de loft. “Normalmente são pessoas que trabalham o dia inteiro, moram sozinhas ou são casadas e sem filhos.”
O corretor de imóveis Thomas Seixas diz que o aumento dos empreendimentos envolvendo ambientes com espaços integrados se explica pelo fato do inquilino possuir a liberdade de interferir no local de acordo com as suas necessidades. "É um espaço muito versátil. Se quiser, a pessoa pode levantar paredes e isolar certas áreas da casa", afirma o consultor. Segundo ele, muitos lofts, principalmente os dos consumidores brasileiros, que apresentam o perfil ‘contra divisórias’, têm sido decorados com propostas de privacidade. “Ao contrário dos americanos e europeus, os brasileiros ainda optam por ter uma empregada em casa. Nesse caso, como em um loft os dormitórios ficam expostos, algumas pessoas utilizam venezianas (estrutura em vidro fosco semelhante a uma persiana) para isolar o quarto. Móveis altos , como uma estante, ou mesmo quadros suspensos também são utilizados” . A arquiteta Evelyne Labanca explica que decorar um local que englobe, ao mesmo tempo, sala, cozinha e quarto não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. “Basta apenas ser criativo”, diz. Para ela, se a residência for criada a partir de um imóvel antigo, o ideal é que o inquilino invista no jogo velho-novo. "Tirar partido de elementos que remetam à antiguidade do local pode dar um toque de charme ao ambiente. Deixar a vista parte de um revestimento em tijolo ou parte de uma viga metálica deteriorada pode ser uma opção de requinte", comenta.
Outro conselho dado pela arquiteta está na questão do mobiliário. "É importante que as pessoas usem apenas o essencial. Entulhar móveis em espaços de proposta integrada é o primeiro passo para o incômodo.” O arquiteto Guilherme Eustáquio, reformou, recentemente, o seu apartamento transformando-o em um loft. “Optei por uma moradia nesse estilo pela praticidade e porque dispensa supérfluos. Só preciso ter uma televisão, pois posso assistí-la de qualquer lugar da minha casa”, diz.
O PRIMEIRO - Embora em expansão, o mercado imobiliário de lofts no Brasil ainda é tímido, sobretudo no que diz respeito ao Nordeste. Pernambuco, por exemplo, ainda não possui nenhum empreendimento do tipo pronto para moradia. No entanto, dentro de dois anos, um edifício em construção, o Loft Casa Forte, vai suprir um pouco essa lacuna. Os apartamentos estão sendo erguidos na Rua Silveira Lobo, em Casa Forte. Cada unidade possui uma área de 102 metros quadrados e um pé direito de aproximadamente seis metros de altura. No primeiro pavimento, uma sala social para dois ambientes, cozinha americana e lavabo. No mezanino, o inquilino encontrará locações para dois quartos, sendo uma suíte. "Não haverá paredes dividindo espaços. Ficará a cargo dos moradores alterá-los ou não", diz Thomas Seixas, que é o corretor responsável pelas vendas do imóvel.