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CELULAR II
Um celular novo a cada dia

Necessidade de estar na vanguarda da tecnologia faz com que usuários troquem constantemente de celular, geralmente a cada novo grande lançamento

Quando Fedro Leal obteve um Nokia 6120, descobriu que um celular também poderia ser divertido, por causa dos jogos, e mais bonito, pelo design arredondado. Daí passou para o Gradiente Chroma, de visual futurista e metálico, depois voltou ao 6120 na versão ‘i’, que envia mensagens de texto, e hoje é dono de um Nokia 7160, com acesso ao WAP, envio de dados por infravermelho, comando de voz e outras vantagens. “O mercado exige que estejamos adaptados às mudanças”, diz Leal, justificando as constantes trocas.

O analista financeiro Kleber Barreto, 23 anos, também é um tipo de ‘colecionador’ de telefones, mas assegura que as trocas foram em função das circunstâncias. “Não pensava em trocar tantas vezes”, relembra. Seu Motorola DPC, um exemplar da era analógica, só agüentava uma memória de gravação de dois números de telefone, para emergências. O segundo, um Ericsson também analógico, mostrava nomes na tela. Um problema no visor o levou ao terceiro, um Motorola Elite; a busca por comodidade o fez comprar a seguir um modelo menor, o Startac, da mesma fabricante. Completando a relação, vieram um Ericsson TH 668 e um Gradiente Concept, seu atual celular.

No caso do empresário Ricardo Souza, 24, os celulares representaram uma trajetória de altos e baixos. Apenas oito meses após adquirir um modelo analógico, comprou outro telefone para utilizar o recurso vibracall, uma novidade nos idos de 1996. Conseguiu ficar por um ano e meio com o mesmo modelo, um Motorola Startac. Em 1999, comprou o primeiro Chroma, que por problemas técnicos de som e memória, foi substituído por outros dois do mesmo modelo. “O atual eu já tive que trocar a tela. Mesmo assim, vou continuar insistindo”, brinca.

Mas engana-se quem relaciona a mania só aos homens. A estudante Andreza Medeiros, 23, não teve tantos modelos (‘apenas’ quatro), mas declara-se apaixonada por celular. “Ligo todo dia, não vivo sem ele. É minha perna direita”, confessa. O roubo do seu aparelho rendeu uma história inusitada. “Peguei emprestado o celular da minha amiga e liguei para o meu número. A mulher que atendeu se passou por mim, fingindo que conhecia a minha amiga, já que meu celular tem bina. Pedi a ela o meu celular de volta e ela ironizou: ‘ah, ah, você o perdeu’, e desligou na minha cara.”. Andreza comprou um novo e continua usando o telefone em todas as horas.(M.P.)

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Jornal do Commercio
Recife - 09.05.2001
Quarta-feira