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É tempo de murici! A contagem de trës pontos por vitória permite radicais mudanças de posições, mas em alguns casos, estabelece uma explosiva relação entre a torcida e os seus clubes do coração. A derrota do Náutico diante do Ferroviário, em casa, desencadeou um grande mal-estar nos Aflitos. E de tal importância que o treinador foi demitido. Fez-se mais uma vez o caminho mais fácil, o exercício de um cacoete. Não consigo ver por- que Espinosa é culpado da derrota. O que sei é bem diferente. Ele encontrou o Náutico sem um time, e com peças modestas (exceto três nomes mais experientes) armou uma equipe mais do que razoável, e, o que é ainda mais importante, conseguiu um desempenho muito bom. O que houve eu já estou farto de ver e saber. A expectativa gerada, sobretudo no seio de uma torcida que sofre a falta de um título há mais de uma década, mascarou a visão global. Perder um clássico é resultado normal, o que houve foi uma frustração até compreensível. O justo seria o Náutico, que fez muito melhor campanha, decidir o título do Nordeste com o Bahia. Mas a velha máxima do futebol falou mais alto: clássico é jogo imprevisível! A partir daí o treinador ficou demasiado exposto. A derrota de quarta-feira passada, diga-se de passagem, fruto de um lance de incrível má sorte, empurrou Espinosa pra fora. Para mim, ele fez um bom trabalho, mas ninguém contabiliza o positivo, na hora de agradar ao torcedor, o mais fácil é demitir o treinador. Vamos ver o que fará o novo comandante, com um meio-de-campo de bom nível, mas sem plenas condições físicas, que quase nunca consegue uma sequência de três jogos com as mesmas peças. E sabemos de sobra, sem um meio-de-campo eficiente, é muito difícil manter o conjunto forte. Murici será o novo comandante, compromisso de dois meses, e, fora o aspecto psicológico, não vejo maiores vantagens. Enfim, é tempo de murici, cada um cuide de si, diz um velho ditado! Santa Cruz e Sport só dependem das próprias pernas. Se os tricolores não esbarrarem num pequeno, o clássico contra o Sport vai incendiar a cidade, chegue o Sport ou não em condições de igualdade. Só que ambos estão sofrendo da síndrome do tropeço nos pequenos. Qualquer dos dois, sem os tropeços, já teriam o turno no bolso! |
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