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Pinga-Fogo
Inaldo Sampaio

Carta de estímulo

A imagem do Congresso está tão ruim, assim como a do presidente da República e a da maioria dos seus ministros, que conta-se nos dedos o número de jovens hoje no país que se dizem vocacionados para a vida pública. Antes de 64 era diferente. A UNE era uma escola de líderes políticos, tendo dado ao Brasil, entre outros homens públicos, o vice-presidente Marco Maciel, o ministro José Serra, o ex-ministro Roberto Gusmão e o ex-deputado Thales Ramalho.

Por isso, chamou a atenção de Ricardo Fiúza a filiação do advogado Carlos André Magalhães, ao PSDB, para candidatar-se a deputado. Fiúza mandou-lhe uma carta de parabéns por ter feito opção pela vida pública, lembrando que o que se vê hoje no Brasil “é uma crescente despolitização das nossas elites empresarais e intelectuais”, o que contribui fortemente, segundo ele, “para a proliferação de políticos dogmáticos, demagogos e carreiristas”.

“Agradeço-lhe em nome do Brasil e em meu próprio nome o desprendimento por entrar oficialmente na vida pública. É um caminho sem volta. É como se fora a paixão por uma amante, que a cada dia nos trai e magoa, mas da qual não temos coragem de nos afastar. Peço-lhe transmitir à Dra. Jane e ao meu caro amigo Roberto os meus parabéns por sua decisão”. Um forte abraço de Fiúza.

Falta de consideração

Ninguém se posicionou com mais paixão sobre o fim da Sudene do que o economista Chico de Oliveira, que trabalhou nela com Celso Furtado (foto) na fase pré-64. “O presidente deveria ter feito um debate público sobre o problema e chamar o Celso”, disse ele à Folha de São Paulo. “Liquidar a Sudene desse jeito, por meio de medida provisória, me parece uma espécie de pequena vingança contra o seu fundador”. Chico foi companheiro de FHC no extinto Cebrap.

Que delito?

Além de Márcio Thomaz Bastos, outro jurista de conceito saiu em defesa de ACM: Saulo Ramos. Segundo ele, que foi ministro da Justiça de Sarney, “se a lista não foi divulgada não houve quebra do sigilo. E sem quebra do sigilo, que seria o núcleo da conduta punível, não há lesão ao decoro”. Não deixa de ter uma certa lógica.

Longe do amigo

Ninguém entendeu a de Carlos Wilson (PPS). Apesar de ser amigo de ACM há muitos anos, passou a defender abertamente a cassação do mandato dele por quebra do decoro parlamentar. ACM disse no Senado certa vez que dentre os 80 companheiros com os quais convivia gostava de “uns cinco ou seis”. E Carlos Wilson estava nessa lista.

Prefeitos do Pajeú protestam coletivamente

Está marcada para a próxima quarta-feira, no município de Tabira, um ato político de protesto dos prefeitos do Pajeú. Eles vão decretar “estado de emergência”, em bloco, em razão da “seca verde” que está castigando a região.

14 anos no poder sem dever a banco nenhum

O prefeito de Igarassu, Yves Ribeiro (PSB), é um caso raro na política. Está no poder há 14 anos (Igarassu e Itapissuma) e nunca foi a banco tomar dinheiro emprestado. Mais: em 1990 deu-se ao luxo de recusar uma oferta do Bird.

Nome esquecido

O PMDB tem dessas coisas. Para substituir Fernando Bezerra no Ministério da Integração Nacional falou nos nomes de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Ramez Tebet e Moreira Franco. Não se lembrou de Armando Monteiro Neto, que é um dos melhores deputados do Congresso e filho e neto de ex-ministros.

Obra da discórdia

A assinatura da ordem de serviço para a construção da rodovia de contorno da cidade de Garanhuns, que contou com a presença de Marco Maciel, continua dando o que falar. Por ter sido impedido de discursar, o deputado Batata (PSDB) foi a uma emissora de rádio e baixou o sarrafo no prefeito Silvino (PMDB).

Roberto Freire (PPS) definiu como “falta de caráter” o comportamento dos 20 deputados federais que apoiaram a CPI da corrução e depois retiraram os seus nomes atendendo a pedido do governo. “Perdemos uma ótima oportunidade de levar a efeito em nosso país uma ‘operação mãos limpas’”, disse o senador pernambucano.

Circulam versões em Surubim de que o secretário de Recursos Humanos da prefeitura do Recife, Danilo Cabral, seria candidato a deputado estadual nas eleições de 2002. Ele não confirma a informação, diz que está preocupado apenas em fazer um “bom trabalho” na prefeitura e que “o futuro a Deus pertence”.

Por essa o ministro José Jorge não esperava: que o presidente FHC criasse um “grupo especial” interministerial para cuidar do racionamento de energia e designasse Pedro Parente (Casa Civil) para chefiá-lo. Seria a mesma coisa de nomear Malan (fazenda) para coordenar um grupo de trabalho que estivesse envolvido com a “bolsa-escola”.

Ter derrubado a CPI da corrução por meio de uma manobra regimental, com o concurso de Jáder (PMDB) e de ACM (PFL), pode custar muito caro à imagem de FHC. O que é que a opinião pública está pensando? Que o governo está, de fato, mergulhado num “mar de lama”, e que o “dossiê Cayman” é verdadeiro.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.05.2001
Sábado