SÃO PAULO – Um dia depois de o Governo ter conseguido impedir a instalação da CPI da Corrução, o presidente Fernando Henrique fez um discurso atacando os partidos de oposição, acusando-os de “tentar ludibriar a população”. “Ética, para mim, é uma forma de conduta. Foi em toda a minha vida e vai continuar sendo. Não vai se desfazer num palanque eleitoral formado por irresponsáveis que usam qualquer dificuldade para enganar o povo e fazer de conta que estão apurando o que já foi apurado. Há muito mais a apurar e há gente encobrindo o que se deve apurar.”
O presidente chegou ontem a São Paulo, onde deve passar o fim de semana. Pela manhã, participou da inauguração de uma fábrica da Natura, em Cajamar, na Grande São Paulo.
FHC disse que “não fugirá dos desafios” que estão à frente dele. “Nem aos elétricos nem ao daqueles que transformam, retoricamente, a ética numa palavra política”, afirmou. Ele seguiu fazendo referências não muito veladas às legendas de esquerda.
Antes de começar a falar, o presidente teve de ouvir duas cobranças dos dirigentes da empresa de cosméticos. O presidente executivo da Natura, Guilherme Leal, lembrou a FHC da necessidade das reformas nos sistemas tributário, previdenciário e político e foi aplaudido por funcionários e convidados. O presidente fundador da empresa, Luiz Seabra, falou da exclusão social do País. “Temos alguns brasileiros vivendo no Primeiro Mundo e muitos vivendo na África.”
O presidente reagiu e insistiu em falar de um País “que está mudando”. “Vivemos um momento em que a retórica, a demagogia e a irresponsabilidade não vão mais ter o apoio da sociedade.” O presidente lembrou que foi preciso criar condições para a transformação do Brasil, falou da importância da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) nesse processo e disse que, “muitas vezes, são necessárias medidas duras para se fazer o ajuste fiscal”.