por LUIZA BARROS
Tétano e difteria. Sarampo, caxumba e rubéola. Poliomielite. Hepatite B. Qualquer semelhança com a música Pulso, cria dos Titãs anterior à fase ‘MTV acústica’, é mera coincidência. As doenças listadas, na verdade, representam as vacinas exigidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que precisam ser atualizadas por todo viajante, qualquer que seja seu destino. Mas a lista de imunizações não acaba aí – há vacinas recomendadas de acordo com o lugar visitado, como influenza (contra gripe), exigida pelo Grécia, Croácia e Ucrânia.
“No ato de venda de toda passagem internacional, fazemos questão de avisar ao turista a exigência das vacinas. Se não tomá-las, o passageiro não faz nem o embarque”, diz a agente de viagem Juliana Matos. De acordo com Ana Lúcia Magalhães, responsável pelo posto de Vigilância Sanitária do Aeroporto, existem dois tipos de imunizações: uma para proteger o viajante com destino às áreas de risco de febre amarela e poliomielite; e outra exigida por alguns países, que obrigam a atualização do cartão internacional de vacinação.
“É preciso que o passageiro tenha defesas para não contrair doenças quando viaja e também é necessário ter certeza que ele não vai contaminar ninguém, por isso a exigência de que as vacinas sejam tomadas dez dias antes da viagem. A febre amarela, que não existe em Pernambuco, e a poliomielite, que não ocorre no Brasil, são as vacinas que oferecemos gratuitamente”, esclarece a vigilante sanitária.
DICAS – Além de tomar as vacinas apropriadas, outro cuidado que não deve ser deixado de lado pelo viajante é a posse de um seguro de saúde para viagem. Afinal, adoecer viajando, principalmente em terras estrangeiras, pode significar o gasto de verdadeiras fortunas. Juliana, por exemplo, sempre usa sua própria vivência para convencer seus clientes. “Quando viajei a Londres, tive um problema sério na boca, por causa de um canal que tinha feito dez anos antes. Era domingo e, graças ao seguro, fui muito bem atendida por um médico de emergência, que me receitou no hotel mesmo. Sem o seguro, não sei se poderia arcar com os custos de um atendimento desse tipo”, diz.
O médico inglês que atendeu a agente de viagem explicou-lhe as causas do surgimento do problema, que havia passado dez anos sem apresentar complicações: “Ele disse que alguns fatores típicos da viagem, como o longo período do vôo e a mudança de clima, aceleraram a inflamação”. “Antes de viajar, as pessoas devem evitar alterações no dia-a-dia, como o início de um tratamento. Há casos de gente que colocou prótese dentária e, após viajar, desenvolveu um processo inflamatório sério”, afirma Laura Calábria, médica sanitarista e higienista, professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
A médica também alerta para outras precauções. “Os cuidados com alimentação e vestimentas são fundamentais. Quem não tem hábito de comer azeite de dendê, por exemplo, corre riscos de ter uma infecção intestinal ao experimentá-lo. O viajante deve evitar pratos gordurosos, como maioneses e cremes. Já as roupas, devem ser adequadas ao clima e os sapatos, confortáveis”, complementa.
CUIDADOS EXTRAS – Além da diarréia, que é o evento médico mais comum entre os viajantes e pode ser prevenida (evitar alimentos crus e leite não pasteurizado, dar preferência à água engarrafada ou fervida e normalmente usar canudos, entre outras ações), a malária e as doenças sexualmente transmissíveis (DST) merecem uma atenção especial do turista. No caso da patologia transmitida pelo mosquito Anophles, os números assustam: cerca de 500 milhões de casos ocorrem no mundo anualmente, dos quais 2,7 milhões vão a óbito. Com um agravante: ao contrário da febre amarela, não há vacina para malária.
A maior incidência da doença ocorre na África sub-Saara e Sudeste da Ásia, mas também há casos registrados no Centro-Sul da Ásia, Oceania (Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e Vanuatu), América Central, Caribe (Haiti e República Dominicana) e região tropical da América do Sul. Os turistas com esses destinos devem usar repelentes nas partes expostas do corpo, dormir em locais protegidos por telas e evitar permanecer em ambientes ao ar livre durante o amanhecer e o anoitecer, quando os mosquitos estão no período de maior atividade.
No caso das DST’s, pesquisas também comprovam o risco a que o turista se submete. Estudos mostram que, apesar de 70% dos viajantes desacompanhados levarem preservativo, mais de 50% confessam que tiveram pelo menos uma relação sexual desprotegida durante a viagem. Uma maneira de precaução é vacinar-se contra o vírus da hepatite B. Mas, lembre-se: em alguns casos, só a camisinha protege.