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SAÚDE II
Conheça a síndrome da classe econômica

O mal, uma trombose que pode levar o viajante à morte, também atinge a primeira classe e a executiva. Exercícios simples, feitos no avião, podem ser a solução

Cerca de 76 centímetros. É essa a medida numérica do principal vilão da aviação: a síndrome da classe econômica. A doença, que recebeu essa denominação por causa do índice de ocorrência de males na categoria mais barata das aeronaves, na qual uma poltrona é separada da outra por uma distância inferior a um metro, tornou-se popular ano passado. Em 2000, a inglesa Emma Christoffersen, 28 anos, depois de ter passado 20 horas em um vôo Sidney-Londres, morreu por causa de um coágulo formado nas pernas que, ao chegar ao pulmão, formou um trombo.

“A síndrome da classe econômica é sinônimo de Trombose Venosa Profunda (TVP), que pode levar a óbito, caso o trombo se instale nas artérias pulmonares e impeça o sangue de circular”, explica Tadeu Gemir, coordenador do Posto Médico do Aeroporto. Apesar da nomenclatura popular, o distúrbio também pode vitimar passageiros da classe executiva e primeira classe, desde que esses não tomem as devidas precauções. “Quando as pernas ficam para baixo por muito tempo, um trombo pode se formar, por isso é importante que o passageiro se movimente dentro das aeronaves”, alerta o médico.

Em vôos longos, recomenda-se caminhar de hora em hora dentro das aeronaves e fazer exercícios sentado na poltrona, flexionando os pés para cima e para baixo. Assim, haverá circulação sangüínea e prevenção de uma TVP. Outras doenças características das viagens aéreas são dores de ouvido, crises hipertensivas e problemas cardíacos. “A otite acontece quando o passageiro insiste em viajar com gripe ou durante um processo alérgico. Como não há equalização da pressão, a dor aumenta. Já as crises hipertensivas, a angina e o infarto agudo do miocárdio (IAM), são causados pela grande dose de ansiedade e medo, em pacientes que não conseguem controlar o estresse”, complementa Gemir.

“Nas viagens de avião, o organismo fica mais suscetível a algumas complicações. Se a pessoa estiver gripada, corre um sério risco de ter uma otite durante o vôo. Já se o paciente tiver problemas de varizes, precisa ter cuidado para não desenvolver um trombo. Os enjôos também são corriqueiros, por isso deve-se evitar a ingestão de comidas gordurosas antes do embarque”, ensina Laura Calábria, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especializada em Saúde Pública.

AUTORIZAÇÃO MÉDICA – Gemir faz questão de salientar a importância de autorização médica nos casos especiais, como pacientes idosos ou com problemas de varizes, que correm risco de TVP, ou mulheres grávidas, por exemplo. “Quem tem problema de saúde deve procurar seu médico, para que ele ateste no receituário que o paciente pode viajar. Nossa função, aqui no aeroporto, é atender as emergências médicas. Sem acompanhar um paciente, não podemos dizer o que ele pode ou não fazer, mas muitos deles nos procuram com esse propósito, especialmente as grávidas. Mas o atestado delas precisa ser escrito pelo obstetra”, finaliza.(L.B.)

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2001
Quinta-feira