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DANÇA
A volta por cima de um balé

O Ballet de Londrina quase foi extinto no ano passado, mas conseguiu se recuperar e comemora a vitória com a montagem do espetáculo Nunca, que estréia amanhã, no Teatro do Parque

por ROSÁRIO DE POMPÉIA

Na vida, correm-se riscos todos os dias. Os desafios e os medos estão sempre presentes. Quando se consegue o que almeja, tudo se torna um mar de rosas. O importante é nunca desistir. Essa é a mensagem do Ballet de Londrina no seu novo espetáculo, Nunca, que será apresentado pela primeira vez no Estado, amanhã, no Teatro do Parque.

Dirigida pelo pernambucano Leonardo Ramos, com trilha sonora dos músicos Henrique Bittencourt e Marco Tureta, a coreografia retrata, em uma história metafórica, a fase mais difícil da companhia vivida no ano passado. Com oito anos de carreira, o grupo quase foi extinto por dificuldades financeiras e institucionais. “O espetáculo traz a energia da vitória, da volta por cima”, ressalta o diretor.

No enredo, que conta com 11 bailarinos, dois personagens procuram ser aceitos pela sociedade, enfrentando a intolerância e o individualismo. “Eles representam a luta em busca de um objetivo, superando qualquer problema. Assim como aconteceu com o Ballet de Londrina”, relaciona Leonardo.

O erotismo faz parte de todas as expressões corporais. Algumas cenas de beijos entre pessoas do mesmo sexo prometem causar frisson na platéia, mas a intenção é que eles representem aqueles que de alguma forma são criticados e lutam pelos seus objetivos. “Escolhemos o erotismo por ele, geralmente, ser mote de discussões. Principalmente quando o assunto é homossexualismo e algumas pessoas se preocupam mais com essa opção sexual do que debater problemas econômicos do País. Além disso, o erotismo é o que mais existe de original no ser humano diante de um mundo globalizado”, explica Leonardo.

O espetáculo Nunca está dividido em duas partes. A primeira é destinada à coreografia de Ethos, na qual mostra a individualidade do ser humano. A segunda é a soma das coreografias Nunca, Elogio À – é o imaginário e o romantismo dos indivíduos – e À Cidade – que retrata a agitada vida urbana. “Não existe pornografia, não tem bailarinos nus no palco. Eles se beijam e o resto fica por conta da imaginação de cada pessoa”, conta o diretor.

O espetáculo Nunca já foi mostrado no Rio de Janeiro, Fortaleza e João Pessoa. A classificação etária é de 16 anos.

Serviço

Teatro do Parque- Rua do Hospício, 88, Boa Vista. Amanhã, ás 21h. Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (estudante)

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo