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HABITAÇÃO
Fidem aponta os vazios da cidade

Locais com potencial de crescimento em municípios do Grande Recife, como Moreno, Jaboatão, Paulista, Olinda e Camaragibe, podem virar novas opções de moradia

A expansão do mercado imobiliário no Recife, assunto que vem sendo discutido com mais intensidade nos últimos dois meses pelo poder público e empresários do setor, não pode ficar restrita aos limites territoriais da cidade. Municípios da região metropolitana, como Moreno, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Olinda e Camaragibe são áreas com potencial de crescimento e que podem surgir como opções de moradia. “Com a duplicação da BR-232, Moreno ficará a dez minutos do Recife”, afirma a presidente da Fundação de Desenvolvimento Municipal (Fidem), arquiteta Amélia Reynaldo.

Essas áreas metropolitanas se somariam aos bairros identificados pela Prefeitura do Recife com espaços para receber novos investimentos do mercado imobiliário: Santo Amaro, Campo Grande, Rosarinho, Hipódromo, Ponto de Parada, Torreão, Encruzilhada, Arruda, Torre, Madalena, Ilha do Retiro, Prado, Zumbi, Cordeiro, Iputinga e Imbiribeira. Segundo Amélia Reynaldo, há espaços vazios nas proximidades da Lagoa Olho d'água, em Jaboatão dos Guararapes, e margeando o Rio Beberibe (existem trechos atrativos, fora da área urbana), entre o Recife e Olinda.

Em Paulista, Amélia Reynaldo cita vários investimentos em fase de execução ou já em funcionamento, que poderão tornar o município mais atrativo. A triplicação da PE-15, a transformação da PE-01 (liga Olinda a Maria Farinha) numa via urbana, o Veneza Water Park, o casario antigo e a Igreja de Nossa Senhora do Ó são alguns deles. “As obras viárias irão melhorar a fluidez do tráfego”, garante a arquiteta. Em Camaragibe, ela identifica o surgimento de novas áreas com a expansão do metrô (ramal TIP-Timbi), ligando o terminal de passageiros, no Curado, à cidade.

“O território resultante da expansão do metrô (linha sul e ramal TIP-Timbi), um meio de transporte de massa veloz e limpo, é fantástico e com potencial enorme.” Suely Jucá, gerente de Projetos da Fidem, acrescenta que nem todas as áreas com potencial de crescimento devem ser preenchidas com habitação. “Existem várias maneiras de ocupar esses espaços. Podem ser prédios altos e baixos, casas isoladas, conjuntos habitacionais horizontais. É preciso identificar qual a melhor forma”, diz.

Complementando o pensamento, Amélia reforça que esses territórios potenciais devem abrigar ricos e pobres, indistintamente, mantendo uma convivência mesclada, típica do Recife. Ela reconhece que as localidades têm problemas de infra-estrutura e, assim como a Prefeitura do Recife, sugere que o mercado imobiliário participe não só da ocupação dos terrenos, mas divida com as prefeituras metropolitanas a construção dessa infra-estrutura. “A proposta tem nexo econômico, pois os empresários vão usufruir dos espaços. O mundo todo está agindo assim.”

BEIRA-RIO – No Recife, Amélia Reynaldo e Suely Jucá citam a margem direita do Rio Capibaribe (região do Cordeiro) como um espaço potencial que poderia despontar numa operação casada entre o poder público e a iniciativa privada. “A área nasceria com a Avenida Beira-Rio já projetada e não teria os problemas de circulação verificados na margem esquerda (região de Casa Forte).” Um indutor da ocupação seria o Parque do Caiara, transformado em Zona Especial de Proteção Ambiental (Zepa) pela prefeitura. “A iniciativa privada poderia ajudar na implantação do parque.”

Na avaliação de Amélia Reynaldo, muitas áreas podem ser descortinadas e trabalhadas com as prefeituras metropolitanas. O ideal, segundo ela, é que o setor imobiliário pudesse atuar atrelado a outros capitais, como o comercial. “Um comércio com poder de atração grande induz a moradia. Com isso, cria-se um conjunto urbano completo”, diz. É o que pode ocorrer na área do Jardim Botânico, com a implantação de atividades econômicas e residências mais recuadas, aproveitando a proximidade do Recife, a paisagem natural e os terrenos mais baratos.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo