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POLÊMICA III
Assentamento de 1.200 famílias traz esperança ao comércio da cidade

A promessa do Incra de iniciar o assentamento das 1.200 famílias nas terras da Central Barreiros em outubro já começou a repercutir na cidade. Prejudicado pela falência da empresa e praticamente destruído com a enchente do Rio Una, no ano passado, o comércio aposta todas as fichas no incremento do setor a partir da circulação dos recursos provenientes da reforma agrária. Os trabalhadores rurais demitidos com o encerramento das atividades da usina esperam com ansiedade a distribuição dos lotes para poder recomeçar a vida no campo.

Desde a falência da Central Barreiros, em 1998, a cidade depende praticamente do comércio para sobreviver. Na década de 70, quando a usina chegou a produzir mais de um milhão de sacas de açúcar, a renda do município girava em torno da produção açucareira e o comércio tinha menos importância para a economia local. Atualmente, a safra dos engenhos é vendida para outras usinas e as terras foram arrendadas por fornecedores de cana. Entretanto, o poder do setor jamais foi o mesmo.

Há quase três anos, as 700 lojas formais e informais enfrentam uma inadimplência de 80%. Muitas confecções fecharam. O número de funcionários cadastrados caiu de 2 mil para menos de 1.500. “Quando a usina funcionava, o índice de calote chegava no máximo a 35%. Entendemos que o dinheiro da reforma agrária e os investimentos do Incra são as únicas saídas para o comércio de Barreiros”, afirmou o vice-presidente da Câmara de Diretores Lojistas (CDL) de Barreiros, José Correia.

Para os 2.500 trabalhadores demitidos da usina, com os investimentos do Incra na desapropriação dos engenhos é renovada a esperança no pagamento das dívidas trabalhistas e a injeção de recursos na economia local. Estima-se que o total de débitos da Central Barreiros ultrapasse a casa dos R$ 29 milhões. “Já estamos debatendo as formas ideais para evitar o desperdício desse dinheiro investido com a reforma agrária. Nossa preocupação é que os agricultores gastem as verbas dos créditos de uma só vez e sejam obrigados a voltar a cultivar a terra dos outros”, disse o secretário do Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Barreiros, Paulo José Silvestre Silva.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo