Pesquisa mostra que, apesar de satisfeita com a instalação do Núcleo de Segurança Comunitária, comunidade do Pina e Brasília Teimosa ainda se queixa da violência
por VERÔNICA PRAGANA
Especial para o JC
Falta de fiscalização nos becos e de policiamento noturno. Eis as duas maiores queixas das comunidades de Brasília Teimosa e do Pina, ambas atendidas pelo primeiro Núcleo de Segurança Comunitária (NSC) instalado na Região Metropolitana do Recife, em relação ao atendimento feito pela equipe de PMs do núcleo. A constatação é um dos pontos-chave identificados na pesquisa Impacto do Núcleo de Segurança Comunitária no Pina e Brasília Teimosa, realizada pelo Departamento de Administração da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre abril e junho deste ano.
O trabalho, com margem de erro de 3,2%, foi o primeiro no Estado a avaliar políticas públicas partindo da sondagem do população atendida. “É uma forma eficaz de controle social”, informa o professor Pedro Lincoln, que orientou a pesquisa realizada por alunos do terceiro período da graduação em Administração. A coleta de dados foi feita em maio, no quarto mês de funcionamento do núcleo, por meio de entrevistas com pessoas da comunidade, líderes comunitários e os próprios policiais que trabalham no núcleo.
No levantamento estatístico, as reclamações da população ganham dos policiais uma justificava: a falta de condições ideais de atuação. Pelos dados da pesquisa, trabalhar sem o material prometido é a observação feita pela maioria dos sargentos e oficiais lotados no núcleo (13,89%). O mesmo percentual de policiais acredita que a implantação foi muito rápida e que teve influências políticas. Apenas 8,3% dos oficiais e sargentos classificaram como boa a sua instalação.
Desde fevereiro, quando foi instalado, o NSC espera por duas motos prometidas no projeto inicial. Elas são imprescindíveis para a ronda em becos estreitos, por onde as viaturas não passam, e com altos índices de criminalidade, principalmente em Brasília Teimosa. Na pesquisa, a ausência das motos e de armas leves é sentida por 89% dos profissionais da segurança. A falta de armas pesadas vem em seguida, com 86%. Suprimentos alimentares para quem faz plantão é uma necessidade apontada por 72% dos policiais ouvidos. O colete à prova de balas é a grande carência da tropa, segundo 94% dos entrevistados. No projeto inicial, constava o fornecimento de um mínimo de dez coletes para o núcleo. Até agora, não chegou nenhum no NSC que atende os dois bairros da Zona Sul do Recife.
O assessor do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) na área de conselhos de segurança comunitária, Adriano Oliveira, elenca mais outro item entre os faltosos: rádios individuais para comunicação quando estiver em ronda a pé. Oliveira, especialista em segurança pública pela UFPE, questiona os critérios que determinam a escolha das áreas para instalar os núcleos. “Por que implantar os NSC em bairros como Boa Viagem, cujas maiores ocorrências são de seqüestro relâmpago e assalto à banco, que podem ser resolvidas com blitz? Localidades como Guabiraba, Rio Doce e Santo Amaro, com problemas sérios de criminalidade e tráfico de drogas, é que deveriam ser alvo do policiamento comunitário”, defende.
EFETIVO – O número de policiais, apesar de não ter tido referência na pesquisa da UFPE, é apontado como mais um ponto que compromete a qualidade da assistência a população. “O ideal era termos 60 policiais. Mas, somos 48, uma quantidade que reduz mais ainda por causa das escalas, férias e licenças”, comenta o capitão Ildefonso Queiroga.