Na ordem religiosa dos Salesianos, cujo lema é o trabalho com a juventude, 75 jovens se preparam para se tornar irmãos ou sacerdotes. “Um bom número”, festeja o padre-cantor João Carlos Ribeiro, 45 anos, responsável pela formação dos candidatos. Segundo ele, há períodos com mais ou menos vocações, mas elas nunca deixam de existir. “Enquanto houver cristãos, haverá vocações”, raciocina.
Elas aumentam, conforme sua avaliação, nas viradas de ano, chegada de um novo milênio, como agora, e nos períodos de crise. “As pessoas ficam mais religiosas, mais voltadas para a espiritualidade”, explica. O ingresso no seminário se dá aos 18, após a conclusão do ensino médio. A formação tem dois anos de aspirantado, um de postulantado, um de noviciado, três de pós-noviciado (curso de Filosofia), dois de estágio e dois de preparação para o sacerdócio (curso de Teologia).
Gilberto Antonio da Silva, 27, seminarista salesiano, acabou o curso de Filosofia e iniciou o estágio. Desde criança sentia vontade de ajudar as crianças do bairro onde morava. Quando fez a primeira comunhão se entusiasmou com a história dos profetas, que defendiam os mais necessitados. Passou a fazer parte de movimentos católicos, a ponto de irritar a namorada, que reclamava por ele passar mais tempo na igreja do que com ela.
Quando entrou no seminário deixou a mãe feliz. O pai manteve-se neutro. Os amigos achavam que aquilo que não era coisa de homem. “Estava seguro do que queria”, relembra. Como seminarista, admite que teve momentos de crise. “O amor à missão supera tudo”, ensina. O celibato, para ele, não é um peso. Por um simples motivo: “Não deixamos de amar. Amamos de forma mais ampla várias pessoas.”
Anderson de Alencar Menezes, 28, estudou com salesianos e logo aprendeu a admirar o trabalho deles. “Eduquei-me para ser consagrado”, diz. A ida para o seminário, onde estuda Teologia, foi apoiada pela mãe. O pai não gostou. Queria que o filho fosse oficial militar como ele.
Realizado com a escolha, Anderson confirma os momentos de prova. “O desafio está em superá-los”, observa. O celibato, no seu entender, é necessário porque os religiosos devem ser livres para acolher a todos.
Falta de vocação também não tem sido problema para as Beneditinas Missionárias, que levam uma vida ativa por seu trabalho apostólico e inserção social – são solidárias com o mundo, atentas à cultura e às mudanças sociais. Na província do Nordeste (Pernambuco, Ceará e Bahia) somam 80.
Em Olinda, onde começa a preparação para a vida religiosa, as beneditinas estão com seis aspirantes (ficam um ano em experiência), uma postulante (dois anos em formação) e cinco noviças (dois anos de preparação para os votos de pobreza, castidade e obediência e receber o hábito religioso). “Um número significativo para os tempos de hoje”, comemora irmã Consuelo Tavares, formadora das candidatas.
Para ingressar na ordem religiosa, dois pré-requisitos são fundamentais: ter recebido o chamado de Deus e vivência cristã. Outras exigências são idade mínima de 18 anos, conclusão do ensino médio e experiência profissional e missionária.
Irmã Consuelo explica que a vida das beneditinas é pautada pela oração e profunda vida comunitária. O contato com as pessoas é que alicerça suas atividades no campo da educação e da saúde, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), nas paróquias e em tudo que diz respeito à evangelização do mundo de hoje.
Jaciara Sampaio de Araújo, 22, é uma noviça beneditina. Ligada a movimentos de igreja, aos 15 anos descobriu que queria ser freira. Festas e namorados nunca estiveram em seus planos. Criada por uma tia, foi alertada de que era muito jovem para tomar uma decisão tão séria. “Estou muito feliz, graças a Deus”, diz sobre a escolha.
A irmã Consuelo, 54, enfrentou forte oposição da mãe quando decidiu ser freira, aos 17. “Não precisa ir para o convento. Você pode servir a Deus aqui”, reclamava. Do pai ouvia o consolo: “Pense e reflita. O que você decidir eu apoio”. “As dificuldades não me fizeram desistir”, relembra.