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BRASILEIROS NOS EUA
Estudo traça perfil de imigrantes

Governo norte-americano reconhece 600 mil brasileiros vivendo nos Estados Unidos, mas acredita-se que haja muito mais por conta dos que ficam ilegalmente no país

O sonho de muitos brasileiros de ficar rico nos Estados Unidos não mudou nos últimos anos. É cada vez maior o número de pessoas que migram para lá com a esperança de juntar dinheiro durante algum tempo e depois voltar para o Brasil com uma vida completamente diferente. Apesar de o governo norte-americano reconhecer oficialmente cerca de 600 mil brasileiros vivendo nos EUA, acredita-se que haja muito mais por conta dos que permanecem no país ilegalmente. O crescimento é comprovado quando se verifica a expansão de associações e organizações de apoio a imigrantes brasileiros, a fundação de escolas bilíngües, a criação de jornais em português e o aumento de pequenos comércios que oferecem produtos brasileiros.

“Só agora o Governo dos Estados Unidos está reconhecendo a presença do brasileiro no País, porque a população está aumentando e se organizando”, observa a professora americana Hilary Burger, que veio ao Recife, semana passada, para ministrar o curso Novas Perspectivas sobre a Imigração, no Núcleo de Estudos Americanos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Não há dados oficiais porque o sistema do censo ainda não se adaptou a essa nova realidade. Não se reconhece o brasileiro como etnia. Devido também ao medo que muitos têm de responder às pesquisas, pois a grande maioria está ilegal”, complementa Hilary Burger.

Geralmente, quem se arrisca a viver nos Estados Unidos trabalha em subempregos. Atendimento em lanchonetes, construção civil, limpeza de prédios e faxinas em casas de americanos são tarefas comuns a essas pessoas. A jornada semanal chega a 80 horas. Por isso, os hábitos familiares às vezes se modificam, já que todos estão ocupados com o trabalho e quando chegam em casa estão exaustos.

“Revoltados com os direitos que lhe foram negados no Brasil, os imigrantes procuram obter nos Estados Unidos a ascensão social que tanto desejam. Essa ascensão não está necessariamente ligada ao status ocupacional, mas à expectativa financeira de que lá é uma terra onde se ganha dinheiro em abundância”, comenta a jornalista Danielle Pessoa. Ela passou quatro meses em Boston observando o dia-a-dia dos brasileiros que vivem na cidade. A pesquisa originou o livro Pátria Distante, resultado de seu projeto experimental de conclusão do curso na UFPE.

A jornalista observou também que muitos adolescentes não se acostumam com a realidade americana. “A adaptação é difícil. Eles se revoltam com a frieza dos americanos e levantam a bandeira do nacionalismo brasileiro. Reclamam também das escolas. Um exemplo é na hora do recreio. Aqui no Brasil é comum os estudantes passarem esse horário em áreas abertas. Lá, a maioria fica em cafeterias fechadas e sem liberdade”, comenta Danielle Pessoa.

Assim como ocorre no Brasil, o crescimento de igrejas brasileiras nos Estados Unidos, principalmente da Assembléia de Deus, reflete a necessidade dos brasileiros de encontrar apoio, uma vez que estão longe das suas famílias. “Há diversos websites, revistas evangélicas e até um canal de televisão da Assembléia de Deus em Boston”, informa a professora Hilary Burger.

RETORNO – A volta para casa nem sempre é fácil. Danielle Pessoa relata depoimentos de várias pessoas que decidem retornar para o Brasil, mas se decepcionam quando aqui chegam. “Além da independência financeira, eles elogiam que nos Estados Unidos há o respeito pelo cidadão. Mesmo sendo de classes sociais baixas, há o reconhecimento de qualquer pessoa. Um pintor é tratado de modo igual a um executivo, por exemplo”, relata.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo