A proposta da Fidem, de expandir o mercado imobiliário para Jaboatão dos Guararapes e Paulista já vem sendo cogitada pelo setor. “São duas cidades que, ao contrário do Recife, estão incentivando a construção”, afirma o presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Arménio Ferreira. “Naturalmente, o Recife será abandonado. Nas Graças, por exemplo, não se constrói mais nada por lá”, exemplifica.
Arménio Ferreira garante que a concentração de investimentos em uma determinada região do Recife não é culpa do setor. “Somos servos do consumidor e ele procura as áreas que têm infra-estrutura viária, transporte, colégio, bancos, cursos de língua estrangeira, clínicas 24 horas”. Ele salienta que a expansão tem de partir da prefeitura e que cabe ao poder público criar mecanismos de indução para que as pessoas se sintam atraídas pelas áreas com potencial de crescimento.
“Há muito tempo que a Ademi e o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) discutem para onde o Recife pode crescer. Com as vantagens instaladas, o construtor vai atrás”, declara Arménio Ferreira. A Prefeitura do Recife sugere que essas facilidades sejam promovidas conjuntamente entre o poder público e a iniciativa privada.
O vice-presidente do Sinduscon, Antônio Carrilho, tem opinião semelhante à de Arménio Ferreira. “A responsabilidade de induzir a ocupação dos espaços vazios cabe ao poder público e não ao empresário”, reforça. “Numa atitude irresponsável, o poder público não fez crescer a estrutura de saneamento e a pavimentação de ruas nos últimos anos. Ninguém quer morar em ruas alagadas, com lama e trânsito ruim.”
Para Antônio Carrilho, a Jaqueira é um exemplo clássico de bairro que cresceu a partir de uma infra-estrutura implantada pelo poder público, o Parque da Jaqueira. “Hoje, esse é um dos pontos mais valorizados do Recife”, comenta. Ele cita outras áreas com potencial de crescimento, além daquelas definidas pela prefeitura.
Uma delas é o Cais José Estelita, na frente da Bacia do Pina, que poderia ter um projeto urbanístico com parque, atividades de lazer, hotel e empreendimentos comerciais. “A infra-estrutura que já existe no local passaria a ser utilizada.” Outra área é o Parque Memorial Arcoverde, no Complexo de Salgadinho. “Ainda não se fez a integração do parque com o Centro de Convenções, Playcenter, a nova casa de show e a Praia de Del Chifre”, diz Antônio Carrilho.