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HABITAÇÃO IV
Para arquiteto, espaços devem ser atraentes

O arquiteto Waldecy Pinto concorda que o crescimento da cidade deve ocorrer de forma entrosada entre o poder público o setor imobiliário. Ele afirma, porém, que a responsabilidade direta de dotar as áreas de infra-estrutura e criar condições de moradia nas localidades ociosas compete ao município. “O poder público está empurrando com a barriga, para que o empresário resolva a situação.”

“Não se pode simplesmente ofertar um espaço vazio como nova área de expansão da cidade. O local está vazio por alguma razão, existe um efeito negativo para ninguém querer utilizá-lo”, destaca. Um exemplo, segundo o arquiteto, é o trecho da Rua da Aurora que fica em Santo Amaro, perto da Ponte do Limoeiro.

Pinto elenca os fatores que contribuíram para o vazio urbano nesse trecho da Aurora. “Havia uma siderurgia na via. Também havia a fuligem dos navios do porto e a poeira dos moinhos. Os transtornos eram enormes. Além disso, não dava status dizer que se morava em Santo Amaro, por causa do cemitério e das vilas populares.”

Na opinião do arquiteto, as pessoas procuram Casa Forte, Graças, Aflitos e Derby, por se tratar de bairros com infra-estrutura. “Quando estava fazendo o projeto de construção do Shopping Recife, foi feita uma pesquisa para identificar o nível de renda familiar em relação a espaço urbano. A maior concentração de renda está no Derby, Graças, Espinheiro, Aflitos e Tamarineira, onde não há favelas. É o mesmo nível da Avenida Boa Viagem.”

Para Waldecy Pinto, algumas localidades podem surgir devido à instalação de grandes equipamentos. É o caso de Campo Grande com o Shopping Tacaruna. “No entanto, as áreas carentes perto do estádio do Arruda e o canal poluído pesam contra a expansão do bairro. O mesmo ocorre com a Imbiribeira, uma área ótima, mas com a poluição do rio, da lagoa e dos canais, tornou-se uma fábrica de filariose.” Outra observação dele é sobre o sistema viário. “Não se pode morar bem numa cidade onde a circulação é difícil. Quase nada está sendo feito pelo poder público nesse sentido. O transporte coletivo é uma bagunça e, no pouco espaço de rolamento, reina a indisciplina .”

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo