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POLÊMICA II
Área já foi loteada pelos movimentos sociais

O processo de reforma agrária da Usina Central Barreiros vai beneficiar trabalhadores rurais dos principais movimentos sociais em atuação em Pernambuco. Desde o início da luta pela posse das terras dos 22 engenhos, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores do Brasil (MTB), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape) e o Movimento dos Trabalhadores (MT) lotearam o território. No lote do Engenho Campinas, o MTB lidera o número de ocupações. No Baeté, caberá à Fetape o maior número de parcelas, enquanto no Manguinhos grande parte das terras ficará com o MST.

Independentemente das disputas tradicionais pelo espaço no movimento de luta no campo, os quatro grupos de trabalhadores e sem-terra acreditam na possibilidade de estabelecer parcerias, garantido, assim, o melhor aproveitamento das terras. Enquanto o Incra aguarda a tramitação dos processos para decretar a imissão de posse das novas parcelas, os movimentos sociais traçam planos de construção dos assentamentos e montam as estratégias para a criação de cooperativas agroindustriais.

O MST, responsável por oito acampamentos, espera assentar até 800 famílias nas terras da Central Barreiros. Para não perder tempo, os sem-terra estão elaborando um projeto de beneficiamento de culturas como o coco e até a cana-de-açúcar, voltada a produção da rapadura e da cachaça. A idéia é diversificar as culturas, produzir frutas como pitanga e acerola e, principalmente, estruturar as cooperativas, capacitando os trabalhadores para gerenciar da melhor forma as produções. “A expectativa é muito grande na área, porque conseguimos enterrar o passado da monocultura. Agora, vamos ficar de olho na liberação dos créditos prometidos para o processo não desandar”, afirmou o coordenador do MST no Estado, Jaime Amorim.

A principal preocupação do MTB é com o assentamento dos ex-funcionários da usina. Grande parte deles faz parte das 500 famílias coordenadas pelo movimento em dez áreas de acampamentos. Entre os planos traçados pelo Movimento dos Trabalhadores do Brasil está a elaboração de um plano de infra-estrutura para os futuros assentamentos. As nove associações do MTB já atuantes na área vêm realizando debates com os colonos, discutindo a implantação de projetos habitacionais, de educação e saúde. “Faremos um mutirão de construção de moradias a partir da instalação de máquinas para fabricação de lajotas com o barro encontrado na área, o projeto Solo Cimento”, afirmou a coordenadora do MTB, Marta Velozo.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo