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TECNOLOGIA
Pesquisadores desenvolvem geladeira solar

O protótipo da máquina de fazer gelo foi projetado por engenheiros da Universidade Federal da Paraíba

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveu uma máquina de fazer gelo que funciona com energia solar. Um protótipo do equipamento, com capacidade para produzir até dez quilos de gelo por dia, será testado ainda este ano. A unidade piloto, projetada pela UFPB e construída no Instituto Francês do Frio Industrial de Paris, está à espera de recursos para começar a funcionar.

O coordenador do projeto, Antonio Pralon Leite, explica que a principal vantagem da geladeira solar em relação à convencional é que ela não consome energia elétrica. “Outro destaque desse equipamento é que ele não utiliza peças móveis, como os motores nos aparelhos comerciais”, diz.

A geladeira solar saiu por US$ 20 mil, mas com a continuidade da pesquisa Pralon pretende reduzir custo de fabricação a R$ 500. “Para isso, é necessário dar continuidade à pesquisa visando melhorar o desempenho do equipamento”, esclarece Pralon, que pretende atrair o interesse da indústria de refrigeração do Nordeste para o projeto. O tamanho do equipamento, hoje com dois metros de altura, também deverá ser reduzido à metade.

O funcionamento da máquina se baseia na interação entre um carvão especial e um tipo de álcool, que atua de forma semelhante aos gases dos refrigeradores convencionais. O processo é denominado cientificamente de adsorção. “A produção de gelo ocorre à noite e, durante o dia, a energia solar age como fonte de calor necessária à regeneração do carvão”, explica Pralon.

Segundo ele, o Semi-Árido brasileiro é uma região ideal para o uso desse tipo de geladeira porque apresenta altos índices de irradiação solar, com valores médios diários superiores a 6 quilowatts/hora por metro quadrado, e um elevado potencial de resfriamento noturno. “Tais condições são ideais para um bom desempenho de refrigeradores solares desse tipo”.

Na opinião do engenheiro mecânico, a geladeira solar pode ajudar a resolver o problema de conservação de alimentos e de vacinas para campanhas nas regiões rurais nordestinas. De acordo com ele, menos da metade das residências nestas áreas dispõem de refrigeradores. “Além disso, apenas pouco mais de 10% das áreas rurais do Nordeste são eletrificadas”, argumenta.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo