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CLONAGEM HUMANA Europeus defendem proibição
Países propuseram à ONU a criação de convenção internacional para coibir experiência de italiano
Antes mesmo de o projeto de clonagem de seres humanos ser iniciado, conforme pretende o professor italiano Severino Antinori, autoridades européias já estão se mobilizando para barrar a experiência. Deverá ser criada uma convenção universal para proibir a clonagem humana com finalidades reprodutivas. A proposta foi defendida pela França e pela Alemanha. Os dois países elegeram, na última quarta-feira, um dia após o anúncio da clonagem, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, gestor das negociações para elaboração da nova lei. De acordo com Antinori, coordenador do projeto, já haveria 200 casais escolhidos para fazer parte da experiência, que deve começar em novembro.
O assunto também deverá ser debatido na próxima sessão da Assembléia Geral da ONU, que será realizada no próximo mês em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Ao tomar conhecimento da idéia de Antinori, o cientista escocês Ian Wilmut, ‘pai’ da ovelha Dolly (o primeiro mamífero adulto clonado com êxito no mundo em 1997), considerou que a clonagem humana pode produzir crianças com malformações, além de trazer sérios riscos para o desenvolvimento delas.
“Antinori está brincando de ser Deus. Embora seja favorável à realização da clonagem, eu sou contra a tentativa nesse momento, da forma que está sendo proposta. É antiético”, opina Cláudio Leal Ribeiro, diretor do Centro de Reprodução Humana de Pernambuco e o médico responsável pelo nascimento do primeiro bebê de proveta do Norte/Nordeste, em 1992. Para ele, a conseqüência pode ser desastrosa para os casais que serão submetidos à clonagem. “Até que a Dolly fosse concebida, 300 ovelhas nasceram com malformações. Considerando essa realidade, como é pode se aplicar essa mesma técnica, que ainda não está totalmente dominada, em seres humanos?”, questiona.
Atualmente, Dolly já apresenta sinais de envelhecimento precoce. Os cientistas, no entanto, ainda não sabem dizer o porquê desse fato. Nos animais, o índice de sucesso com a clonagem é de apenas os 5%, no máximo. “Os avanços na área de reprodução, apesar de ultrapassarem a legislação, sempre vão esbarrar na moral e na ética das pessoas. Por isso, os cientistas precisam ter discernimento do que pode ou não ser permitido, e não fazer o que quiserem”, avalia Cláudio Ribeiro.
Leia mais sobre clonagem no caderno Família
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