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RACIONAMENTO
Sobretaxa será a maior punição

A Celpe registra estouro de meta nas contas de 360 mil clientes, mas admite que só tem capacidade de cortar 10 mil pessoas

A partir desta semana, o programa de racionamento do Governo Federal entra em uma nova fase, principalmente pelo início dos cortes no fornecimento de energia para aqueles consumidores que não cumpriram suas metas. No entanto, a proposta inicial de cortar a carga como forma de ‘forçar’ os usuários a economizarem compulsoriamente pode não dar resultados. Simplesmente por falta de estrutura das concessionárias para punir a todos os que não cumpriram suas metas.

Em Pernambuco, por exemplo, mais de 360 mil clientes da Celpe na faixa acima de 200 kilowatts hora (kWh) consumiram acima de suas cotas. Todos serão punidos com o pagamento de sobretaxa pela energia utilizada a mais do que deveria. No entanto, apenas 10 mil estão correndo o risco de passarem um dia sem luz. Isso porque a empresa, que normalmente faz 90 mil desligamentos por mês em consumidores inadimplentes, não pretende aumentar o número de funcionários envolvidos nesse tipo de serviço.

A decisão da Celpe, então, foi transferir 10% do seu trabalho para os cortes por excesso de consumo. A situação não é particular de Pernambuco. A Light, concessionária do Rio de Janeiro, por exemplo, registrou ultrapassagem da meta em quase 500 mil consumidores. A empresa já avisou que só poderá cortar em torno de 200 mil clientes.

Para o restante a única punição é a sobretaxa. A própria Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) determinou, quando elaborou o programa de racionamento, que os clientes que tiverem apresentado maior percentual de extrapolação da cota seriam os primeiros a ter sua energia interrompida.

CRISE – Apesar de a punição do programa de racionamento estar mais próxima, agora, o uso racional de energia elétrica está se tornando um hábito para população. Tanto que as regiões Nordeste e Sudeste vêm se mantendo dentro da meta de redução de 20%. Em julho, ambas fecharam o mês com uma economia acima dos 20%. Agora em agosto, a situação permanece.

Isso fez com que o ministro de Minas e Energia, José Jorge, tenha falado, recentemente, em flexibilização das regras. Para ele, o que vai acontecer daqui para a frente são alguns pequenos ajustes com o objetivo de melhorar o racionamento e minimizar os seus efeitos econômicos e sociais. A reabertura do prazo de revisão das metas é uma das conseqüências disso.

José Jorge ressalta, no entanto, que isso não quer dizer que a situação melhorou. Segundo ele, as regiões ainda atravessam um período de dificuldades e, por esse motivo, o cuidado precisa ser mantido. Na avaliação do ministro, embora as Regiões Sudeste e Centro-Oeste estejam numa situação mais confortável, o Nordeste ainda preocupa.

O reservatório equivalente do Rio São Francisco (que representa a média das bacias do sistema) está com 19,84% de sua capacidade. O percentual é apenas 0,8% acima do volume mínimo esperado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo o ministro, se esse nível estiver 1% menor do que o mínimo, entra em cena o Plano B do racionamento. Ou seja, o corte de carga por meio de feriadões ou apagões.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo