Intelig e Embratel fecharam acordos com operadoras estrangeiras que permitem a redução das tarifas de DDI para países como os Estados Unidos
Durante o mês de agosto, os usuários de telecomunicações brasileiros assistirão a uma guerra inusitada. As duas empresas de telefonia de longa distância passaram a oferecer chamadas de discagem direta internacional (DDI) por até R$ 0,06. Tanto Intelig (a primeira a cortar a tarifa) quanto Embratel garantem que a iniciativa provocou um aumento no fluxo de chamadas para Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Japão e França – países participantes da promoção. Como as duas garantem que têm o compromisso de oferecer a melhor opção para os clientes, a cada redução das tarifas de uma operadora, a outra imediatamente faz o mesmo.
A receita para reduzir os valores do DDI é simples. Basta um acordo com as operadoras nos países de destino das chamadas. As duas empresas brasileiras estão aproveitando a subida do dólar e o alto tráfego de chamadas entrantes – ou seja, ligações feitas para o Brasil, que são em maior quantidade do que as saintes do Brasil. No caso dos Estados Unidos, para cada um minuto de telefonema para lá, são realizados três minutos de chamada para cá.
“Fizemos acordos com as operadoras estrangeiras, garantindo que as ligações entrantes seriam roteadas para nós. As feitas através de nossa rede estamos encaminhando para esses nossos parceiros”, explica Kleber Meira, diretor de marketing da Intelig. O executivo garante que a Intelig vai continuar agindo de forma agressiva no mercado de telecomunicações.
A Embratel, que cedeu à guerra de preços, fez a mesma coisa, mas avisa que está trabalhando abaixo do seu custo. A operadora explica que a redução terá como vantagem o combate a pirataria telefônica – em referência às empresas nacionais e estrangeiras que atuam sem licença da Agência Nacional das Telecomunicações (Anatel) e oferecem ligações de longa distância por preços menores do que os cobrados pelas empresas que atuam formalmente no setor. Essa redução só é possível graças à sonegação de impostos e ao uso de sistemas que deveriam atender circuitos internos de empresas.
CAMINHO PARTILHADO – Para que uma ligação telefônica seja realizada, a voz trafega por uma rede de cabos e fibras óticas. Quando a chamada é local, a rede pertence a uma única operadora, mas quando a ligação é interurbana, a conversa deve passar por cabos telefônicos de pelo menos duas empresas.
Quando a pessoa tira o telefone do gancho e disca o número 0, indicando que vai fazer um DDD, e depois o 21 (Embratel) ou 23 (Intelig) a chamada passa pela rede da operadora local (em Pernambuco, a Telemar) e segue até a central da operadora de longa distância escolhida. Esse caminho tem um custo que está embutido na tarifa do DDD.
Da central da operadora de longa distância na nossa cidade até a cidade com a qual queremos falar, a rede telefônica pertence à Embratel ou à Intelig. Daí até a casa ou o escritório desejado, mais uma vez é usada a rede da operadora local e mais uma vez é cobrada a taxa de uso da rede, ou de interconexão, que é cobrada de forma proporcional ao tempo de duração da chamada.
SEM DDD – Os executivos da Intelig e da Embratel explicam que, por enquanto, não é possível fazer nenhuma promoção deste tipo para as ligações DDD, por causa do custo da interconexão. “Há chamadas em que 60% do valor final vão para a operadora local”, reclama Meira.
A Embratel, por sua vez, informa que chega a pagar R$ 0,06 por minuto de interconexão com operadoras locais. O valor corresponde ao pulso local cobrado pela Telemar em Pernambuco, por exemplo.