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CAMPANHAS SALARIAIS II
Abertura do mercado é o mote do telecomunicador para pedir reajuste salarial

As negociações trabalhistas deste ano serão cruciais para os trabalhadores em telecomunicações. A categoria quer pegar o embalo da expansão das operadoras no próximo ano, quando todas poderão atuar em qualquer parte do País, e tentar converter esse avanço em ganhos para os empregados. Se por um lado o setor destoa dos demais porque promete um crescimento na oferta de empregos nos próximos anos, por outro é registrada uma perda salarial de até 2/3 desde a privatização do setor, há três anos, por causa da terceirização dos serviços. A data-base é em dezembro e, até lá, será fechado o percentual reivindicado .

“O setor vive muitas transformações, com demissões, contratações e maus salários. Nós não podemos aceitar a precarização do trabalho”, diz o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), José Zunga. “O cenário das telecomunicações é rico neste momento e nós vamos levantar a bandeira da melhoria das condições e dos salários”, acrescenta.

De acordo com Zunga, o aumento na oferta de vagas no mercado não significa elevação nos vencimentos para a maioria dos empregados porque a prestação de serviços reduz a remuneração. Para ele, a terceirização interfere diretamente na qualidade dos serviços prestados à população.

Mesmo sabendo que o embate deste ano será difícil, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel), Marcelo Beltrão, tem uma visão otimista. “A disputa de funcionários da TIM pela Telemar (que vai operar na telefonia celular) e dos da Telemar pela Embratel (que vai atuar na telefonia fixa local) deve elevar a faixa salarial”, diz.

Mas essa disputa não se estende a todos os trabalhadores. Apenas os de nível técnico, que formam a minoria da categoria. Eles são responsáveis pelos projetos técnicos de expansão e manutenções de cabines telefônicas, por exemplo. O pessoal de nível médio, que forma a maioria dos empregados do setor e é reponsável pelos trabalhos na rua, continua sendo mau remunerado.

Segundo o Sinttel, existem hoje, em Pernambuco, cerca de mil funcionários na Telemar, 800 na BCP, 600 na TIM e 200 na Embratel. As empreiteiras, como são chamadas as empresas prestadoras de serviços das operadoras, concentram aproximadamente 7 mil telecomunicadores.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo