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CAMPANHAS SALARIAIS III
Bancários querem unificar campanhas de instituições públicas e privadas

Ao contrário de todas as categorias, os bancários são favorecidos pela crise econômica em suas negociações trabalhistas. Isso porque é em períodos de alta de juros e do dólar que os bancos lucram com a emissão de títulos, remuneração dos papéis emitidos na moeda norte-americana e com os juros cobrados sobre os empréstimos liberados. O presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Miguel Correia, diz que o desgaste político do Governo Federal também será usado como argumento nas discussões.

A categoria sinaliza para a nacionalização da campanha e vai tentar atrelar a negocição dos empregados da rede pública – Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil – a dos funcionários da rede privada, que têm mais facilidade para barganhar reajustes e benefícios. “Para a rede privada, a expectativa é a reposição das perdas salariais porque os bancos tiveram lucros altos no primeiro semestre deste ano”, estima.

Segundo Correia, balanços semestrais dos bancos Bradesco e Itaú, por exemplo, mostram que os lucros apresentados nos seis primeiros meses de 2001 são equivalentes aos dos 12 meses de 2000.

Apesar de o cenário positivo no ramo financeiro privado, os trabalhadores convivem com uma perda acumulada de 21,12% nos últimos sete anos. Levando-se em conta apenas os 12 últimos meses, seria necessária uma reposição de 8,89% nos vencimentos.

A situação é bem pior na Caixa, onde os funcionários têm uma perda de 71,62% desde 1994, quando foi implantado o Plano Real, e no Banco do Brasil, onde a ausência de reajuste no mesmo período causou uma perda de 69,86%, de acordo com o sindicato.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo