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Buongustaio é um caso de estudo

Por vários motivos, o restaurante Buongustaio, agora em novo endereço, deveria ser um estudo de caso para quem se aventurar a pesquisar o sucesso ou o fracasso de empreendimentos na área da gastronomia. Vamos começar, exatamente, pelo que é novidade: a mudança de ponto. Quando se instalou na Rua Santo Elias, no Espinheiro, o Buongustaio o fez de forma silenciosa, sem alarde.

Mesmo assim, em pouco tempo, surgia um elemento que, embora indesejável, era a prova material da sua popularidade entre o público local: a fila. Mesmo com a ampliação do restaurante, quando foi anexada a casa vizinha, as filas persisitiram sem observar dia e só respeitando alguns horários: logo quando começava a funcionar, por volta das 19 horas, até às 20h, e pouco antes de fechar, religiosamente à 1 da manhã. O horário de fechamento, aliás, foi um dos procedimentos diferenciados impostos pelo proprietário e chef do restaurante, Antenor Silveira. Não tinha esse negócio de ‘até o último cliente’. Pouco antes do prazo final, os garçons avisavam o encerramento dos trabalhos.

Mesmo assim, o público recifense que vinha superando as filas – e que é notadamente refratário a fazer concessões – aceitou de bom grado a nova disciplina. O Buongustaio atravessou todo o período em que viveu no Espinheiro com a casa cheia, inacreditavelmente, de segunda a sábado, seus dias de funcionamento.

LOW PROFILE – Da mesma forma discreta como se instalou no Espinheiro, o Buongustaio mudou-se para Boa Viagem, ocupando o andar térreo do novíssimo Hotel Confort. A mudança, segundo Antenor, não teve uma razão mais forte, mas várias razões menores: estacionamento, segurança, outros projetos para a casa e, principalmente, uma cozinha novinha em folha, projetada por ele e equipada com o que há de mais moderno e funcional em móveis e equipamentos.

Tirando a mudança geográfica, não há nada de novo no Buongustaio. E isso deve ser tomado como elogio. As filas se deslocaram para lá tão rapidamente quanto surgiram no Espinheiro e a espera, tão desconfortável quanto no endereço original, pode chegar facilmente aos 40 minutos em horário de pique. Uma ressalva merece ser feita: existe um esforço da gerência para que a experiência desagradável que é qualquer fila seja suavizada com o envio de pastéis e outras guloseimas, bem como um garçon que circula servindo drinques para os mais impacientes. Outra ressalva: a ordem de chegada é rigorosamente observada, não havendo chances para ‘carteiradas’ ou ‘sabe com quem está falando’. Todos são iguais perante a vontade de comer as deliciosas massas do Buongustaio.

O SEGREDO – Qualidade. Esse é o ‘segredo de polichinelo’ do Buongustaio. Seu cardápio é absolutamente irrepreensível e o chef Antenor Silveira é um viciado em perfeccionismo, chegando ao cúmulo de consumir meses para elaborar um prato como o cartoccio, um clássico da casa. Novos pratos são inseridos lentamente (atualmente até com uma rapidez maior), mas aqueles que constam do cardápio, lá estão por absoluto merecimento.

O Buongustaio conseguiu o feito de elaborar tantos pratos preferenciais que ele é, sem risco de errar, um dos poucos restaurantes na cidade que tem vários itens que despertam um ‘recall’ gustativo imediato, do tipo: “Que vontade de comer o agnolotti do Buongustaio”. Sacaram a diferença? Não é vontade de comer um filé, uma lagosta ou uma picanha, mas especificamente aquele prato. E isso, convenhamos, é para poucos.

Buongustaio – Av. Domingos Ferreira, 467, Boa Viagem, fone: 3327.5001

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Jornal do Commercio
Recife - 10.08.2001
Sexta-feira