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SURFE
Sávio bota o pé no mundo e vira surfista-caramujo

Pernambucano vive desde o ano passado, quando abdicou das facilidades e mordomias da vida em família, com o pé na estrada e carregando a ‘casa’ nas costas

por ANDREZA VASCONCELOS

Vida de andarilho. Essa é a definição para quem vive pulando de cidade em cidade, de país em país, rodando com os circuitos nacional e mundial de surfe. E é nessa vida que está o pernambucano Sávio Carneiro, desde o ano passado, quando abdicou das facilidades e mordomias da vida em família para viver com o pé na estrada e com a ‘casa’ nas costas, assim como um caramujo.

“A primeira vez que eu saí de casa para surfar foi em 1990”, lembrou. De lá até hoje, Sávio só parou em casa durante o ano em que passou se recuperando de um acidente na Indonésia, em 90. “Passei um ano de molho e só voltei a surfar em 92”, contou.

Antes disso, Sávio aportou na casa de amigos, no Guarujá (SP). “Meu patrocinador queria que eu fosse para São Paulo porque lá há maior número de campeonatos e surfistas. Eu tinha que ir para evoluir”, explicou. “Entretanto, ele não me arrumou casa nem hotel para ficar lá. Tive que me mudar de ‘mala e cuia’ e ir morar de favor na casa de amigos.”

Depois do acidente, que resultou na fratura da rótula, Sávio voltou ao Recife para se recuperar. Passou um ano na casa dos pais, mas não via a hora de voltar a correr pelo Brasil. “Assim que fiquei bom fui para Florianópolis, novamente para a casa de amigos. Mas como não queria incomodar, a cada competição, levava toda a minha bagagem nas costas.”

Em 2000, o surfista pernambucano mudou novamente de endereço. O destino dessa vez foi o Litoral Norte de São Paulo. “Um amigo meu, daqui do Recife, foi morar lá e disse que eu podia ficar na casa dele. Fui na hora”, afirmou. “Mas a moradia era por pouco tempo. Só enquanto eu arrumasse lugar para ficar. Acontece que não era provisória porque eu não tinha para onde ir, mas não podia dizer que ia ficar lá.”

Como não podia abusar da gentileza do amigo, Sávio voltou a carregar a ‘casa’ nas costas. “Desde o ano passado que a todo campeonato que eu vou, levo os trecos nas costas porque estou sem casa e nunca sei para onde vou voltar”, explicou. “O pior é que esse meu amigo teve um filho e a casa ficou pequena para quatro pessoas”, lembrou.

No momento, Sávio diz que está passando uma chuva na casa da namorada, na capital paulista. “Mas também estou lá provisoriamente. Até porque em São Paulo não tem mar e aí não dá para viver”, salientou o surfista que já está arrumando a mala para encarar, amanhã, mais uma viagem. O destino agora será a Europa, onde disputará uma seqüência de três etapas do World Qualifying Series WQS). “Dessa vez, chega de ‘alugar’ os amigos. As vitórias no Super Surf renderam uma grana para o hotel”, avisou o homem-caramujo, Sávio Carneiro.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo