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BRASILEIRO DE WINDSURF
Categoria Fórmula vive momento desanimador

por EDUARDO AMORIM

MARAGOGI, Alagoas – O Brasileiro de Windsurf, classe Fórmula, é um exemplo da fase que vive a prancha à vela feminina no Brasil: só três garotas se inscreveram.

A qualidade das competidoras é inegável. Valéria Matuck (SP) é a única profissional em atividade no País; a bicampeã nacional, Renata Fusetti (RJ), dispensa apresentações, e Lígia Cavalcanti (CE) integra uma trupe que faz muito sucesso nas competições nacionais, a da família Oliveira, de Nélson, Marcílio e Browsinho. Mas o ínfimo número deixa insatisfeitas até as próprias atletas.

“O pior é que já está virando uma coisa comum. No primeiro Brasileiro de que participei, só havia quatro meninas, aqui só faltou Flavinha (Flávia Leite, da Paraíba) para completar o mesmo número”, explica Lígia, 19 anos. Ela está apenas na sua segunda competição nacional, mas já dá trabalho às adversárias. Até sexta-feira estava empatada na primeira colocação com as outras duas.

Ela explica que há garotas velejando em vários Estados, mas por vários motivos não participam dos torneios. “No Ceará existem pelo menos umas quinze meninas nas disputas, só que lá o forte não são as provas de course (como o Brasileiro que está sendo realizado em Maragogi, com provas em circuitos marcados por bóias no mar), mas as de wave, pois os ventos são muito fortes".

Lígia foi para Alagoas quase sem treinar, já que os fortíssimos ventos de Fortaleza, nesta época, impedem completamente o windsurfe em pranchas da categoria Fórmula. Tentava entrar na água nos dias de menos vento, mas “era queda em cima de queda”.

A história de Renata Fusetti (24) é diferente. Bicampeã brasileira, disputa o Campeonato Carioca com, pelo menos, outras dez meninas. Garante que muitas delas teriam condições de participar de qualquer competição nacional, mas “algumas não têm interesse, e outras estão sem equipamento”.

Renata foi quinta colocada no Mundial de 2000, após ter sido nona em 1999. Ela esperou a confirmação da presença de outras atletas para vir ao Nordeste e considera uma vitória a presença de três garotas neste campeonato. Não está totalmente errada. Afinal, no ano passado, não foi realizado o Brasileiro de Fórmula por falta de competidoras.

Mais experiente, Valéria Matuck é a única das três que é profissional. Explica que consegue viver do windsurfe porque dá aulas para iniciantes, tem bons patrocinadores e já conquistou vários títulos internacionais. Para ela, “as meninas têm mais facilidade para aprender a velejar de prancha. Qualquer ventinho elas já estão saindo do lugar, só que os homens têm mais persistência”.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo