Único candidato até o momento, criminalista quer implantar um modelo empresarial na administração do clube e vai abrir diálogo com todos os rubro-negros que quiserem colaborar
por WLADMIR PAULINO
O poder da adivinhação não é comum ao ser humano, mas é pouco provável que a chapa Lúcio Jatobá/Sílvio Guimarães não saia vencedora na eleição do Sport, marcada para esta terça-feira. Primeiro, a oposição ainda não definiu candidato e os nomes especulados pelo Movimento Muda Sport – Guilherme Alburquerque e Jarbas Guimarães – sequer foram consultados. Em segundo lugar, e mais importante, o Conselho Deliberativo – que tem direito ao voto – aclamou os nomes de Jatobá e Guimarães.
Caso saia vencedor, uma das prioridades de Lúcio Jatobá é abrir diálogo com todas as correntes políticas do clube. Aos 60 anos, o criminalista garante que as portas de seu gabinete estarão sempre abertas a qualquer rubro-negro que quiser colaborar. “Sempre fui aberto ao diálogo e a hora é de somar”, diz.
Entre os rubro-negros que Jatobá prentende contactar estão pesos-pesados como os ex-presidentes Jarbas Guimarães e Silvio Pessoa. Ele só quer manter longe as pessoas que usam o clube como fonte de intrigas. “A situação é muito delicada e precisamos da ajuda de todos os grandes rubro-negros.”
E é desta união que Jatobá pretende chegar à força para reerguer o clube, principalmente no aspecto financeiro. Para quem não sabe, o Sport tem uma dívida de R$ 27 milhões. “É uma dívida quase impagável. Se você me perguntar como pagar isso, sinceramente, eu vou dizer que não sei”, reconhece.
Para encontrar uma luz no fim do túnel, o advogado pretende contratar um especialista em administração de empresas para uma radiografia do clube. “O Sport não pode depender de dirigentes. Precisa de um modelo de gestão empresarial”, destaca.
A respeito do futebol, Jatobá também não se ilude. Não quer cometer nenhum estelionato emocional. “Temos dificuldades e não vou prometer a ninguém que seremos campeões brasileiros que não sou louco”, admite, dizendo que as conversas que mantiver com outras lideranças rubro-negras deverão definir a composição da diretoria. “Inclusive, se aparecer outro candidato que o grupo ache melhor, eu saio na hora.”
O VICE – Na vice-presidência executiva está um velho conhecido da torcida leonina. Sílvio Alexandre Guimarães, 53 anos, médico ortopedista, foi vice-presidente da FPF de 85 a 95 e um dos principais articuladores da campanha que elegeu Luciano Bivar no final do ano passado.
Filho do jornalista e ex-jogador do Sport na década de 40, Haroldo Praça, Sílvio relutou em aceitar o cargo por causa de seus afazeres profissionais, mas foi aclamado por um grupo de conselheiros na última quinta-feira.