O câncer de boca é bastante freqüente no nosso meio, especialmente entre os homens. Os dados do Registro de Câncer do Hospital de Câncer de Pernambuco sobre a doença no período de 1996 e 1997 demonstram que o número de casos entre os homens é de duas a três vezes maior que os casos femininos. Esse dado pode estar associado ao maior consumo de fumo e álcool pelo homem. No entanto, nos últimos anos, esses hábitos estão mais difundidos entre as mulheres, podendo ser uma das causas do aumento da incidência de câncer bucal entre elas.
Em termos do total de casos por gênero (sem considerar o câncer de pele), o câncer de boca representa 12,2% dos casos masculinos registrados no Hospital de Câncer de Pernambuco, e apenas 3,3% dos casos femininos. Devemos lembrar que o número de casos totais de câncer entre as mulheres está duas vezes mais freqüente do que entre os homens: 1.907 casos masculinos no período de 1996/97 contra 4.126 casos femininos.
Em relação ao número total de casos de câncer registrados, independentemente do sexo do paciente, o câncer de boca representa 6,1% do total de neoplasias malignas diagnosticadas no período.
O termo câncer de boca, conforme a classificação da União Internacional Contra o Câncer (TMN) - Classificação de Tumores Malignos, 5ª edição – inclui as categorias de C01 a C06, de acordo com suas respectivas porcentagens de ocorrência: base de língua (3,8%); outras partes da língua (42,3%); gengiva (3,0%); assoalho da boca (10,3%); palato ou céu da boca (19,5%); e outras partes da boca (21,1%). Esses tipos de câncer também compõem o que é conhecido como Câncer da Cavidade Bucal.
Entre os casos atendidos no Hospital de Câncer de Pernambuco, o câncer localizado na língua é o tipo de câncer de boca mais freqüente, seguido por câncer de outras partes da boca e câncer do palato.
Dos tumores de boca, a maioria é localizada na área da língua, independentemente do gênero dos pacientes. Os dados do Registro de Câncer de Base Hospitalar do HCP demonstram que 49,6% das neoplasias malignas da língua são do sexo masculino, e 43,8% são do sexo feminino.
Em termos da idade dos pacientes (grupos etários), o câncer da cavidade bucal diagnosticado no Hospital de Câncer apresentou um crescimento constante a partir dos 25 anos de idade.
Nesse grupo, porém, apenas 2 dos 369 casos registrados foram encontrados, sendo um de câncer de outras partes da língua e o outro de outras partes da boca, ambos do sexo feminino.
O câncer de boca realmente afeta mais as pessoas idosas. O pico da distribuição do câncer bucal, com 65 casos registrados, ocorreu no grupo de 65 a 69 anos de idade.
De fato, o sexo masculino começou a tomar liderança no número de casos registrados a partir de 35 anos de idade. Depois dos 65 anos de idade, o quadro começou a diminuir um pouco até terminar com 39 casos no grupo etário de 80 e mais anos de idade, com uma ligeira predominância do sexo feminino no grupo de câncer de palato.
COR BRANCA – Conforme pesquisa realizada no Hospital Universitário de Santa Maria, relatada na Revista Brasileira de Cancerologia, o câncer de boca afeta mais as pessoas de cor branca. A maioria dos pacientes era tabagista (mais de 76% dos casos), e uma boa percentagem (47,6%) também fazia uso do álcool. Foi observado, igualmente, que 38,7% dos pacientes utilizavam próteses dentárias. Esse último é fator de risco quando a prótese não está devidamente ajustada e faz atrito na boca.
Em termos de sintomas, os pacientes queixavam-se da presença de uma lesão (78%) e de dor (55%), na sua maioria, sendo observado casos de disfagia (dificuldade de engolir - 40%), emagrecimento (28%), sangramento (17%) e prurido (6%).
Nas neoplasias malignas que afetam a cavidade bucal, os agentes carcinogênicos induzem transformações atípicas nas células. A conjugação dos fatores do hospedeiro com os fatores de risco externos associados ao tempo de exposição é a condição básica na gênese dos tumores malignos que acometem a boca. Os fatores externos, porém, parecem exercer o papel preponderante. Entre eles, destacam-se: o uso do fumo, álcool, próteses dentárias mal-adaptadas e a exposição exagerada à radiação solar.
Desses fatores, o fumo exerce o papel principal. Foram isoladas aproximadamente 70 substâncias carcinogênicas em sua fumaça, que somadas ao calor da combustão do fumo promovem alterações na mucosa bucal.
A ingestão de bebidas alcoólicas é relacionada com o aumento de risco para o câncer de boca, principalmente os do assoalho bucal e da língua. Além da possível existência de agentes carcinogênicos no álcool, acredita-se que ele possa agir como um solvente local. Na pesquisa realizada, constatou-se que aproximadamente metade dos pacientes era etilístas, o que confirma achados em estudos médico-científicos anteriores.
Em termos de tratamento, existem três modalidades: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. As duas primeiras são usadas na maioria dos tumores (cerca de 46% dos casos), acompanhadas por apenas cirurgia (37%), e 15% por radioterapia. A quimioterapia sozinha, por outro lado, ou acompanhada com radioterapia, é usada basicamente como tratamento paliativo em tumores avançados (menos de 2% dos casos). O que é importante lembrar é que o câncer de boca é quase totalmente prevenível - ou seja, o controle está nas nossas mãos. Para evitar a maioria dos casos, basta controlar os nossos hábitos pessoais (fumo, bebida e sol) e freqüentar o consultório do odontólogo com mais freqüência.
Fontes:
Registro de Câncer de Base Hospitalar do Hospital de Câncer de Pernambuco e Danes, Cristiane, et al (2000).
Câncer de Boca: Um estudo no Hospital Universitário de Santa Maria, Revista Brasileira de Cancerologia, Abril/Maio/Junho, 2(46) 179:182.
Departamento de Controle e Prevenção:
Dr. Jaime de Queiroz Lima - Médico;
Chefe do Departamento
James Anthony Falk, Ph.D. - Assessor do Grupo de Pesquisa
Hospital de Câncer de Pernambuco
Departamento de Controle e Prevenção
Contato: Isabel Melo (isabel@hospcancer-pe.org.br)
Fone: 3423.2088 ramal 188 (07:00 às 13:00)
Apoio: JORNAL DO COMMERCIO