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MEDICINA
Endometriose pode causar infertilidade

Mal atinge grande número de mulheres que, por falta de informação, o consideram apenas uma dor comum do período menstrual

por ANTÔNIO MARINHO
Agência Globo

Dores crônicas na região pélvica, menstruais e durante a relação sexual podem ser sinais de uma alteração que afeta, de forma silenciosa, de 10% a 15% das mulheres em idade fértil, principalmente a partir dos 30 anos: a endometriose, também classificada por alguns especialistas como a doença da mulher moderna, e que interfere na qualidade de vida e leva à infertilidade.

Embora a maioria das mulheres nunca tenha ouvido falar em endometriose, muitas sofrem da doença, sem saber. Para elas, as dores fazem parte do ciclo menstrual. Só descobrem quando tentam engravidar e não conseguem. O termo significa a presença de células do endométrio (tecido que reveste internamente o útero e é eliminado na menstruação) em outros órgãos, como ovários, trompas, bexiga ou até em outros mais distantes. Medicamentos hormonais e a técnica de laparoscopia têm tornado o tratamento mais eficaz.

CAUSA DESCONHECIDA – Os médicos ainda desconhecem a causa da endometriose. Uma teoria diz que o motivo é a menstruação retrógrada, ou seja, o sangue com endométrio reflui para as trompas, em vez de ser eliminado. E essas células terminam aderindo e crescendo em outras partes do corpo.

Esses implantes também se tornam mais espessos, devido à ação dos hormônios femininos no ciclo menstrual, causando sangramento e inflamação. Para alguns especialistas, a endometriose está associada a uma deficiência no sistema imunológico. “Cerca de 90% das mulheres têm menstruação retrógrada sem sofrer endometriose”, diz o médico Carlos Petta, responsável pelo Ambulatório de Endometriose do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Universidade de Campinas (Unicamp).

Segundo o ginecologista Marco Aurélio Pinho de Oliveira, que trata de pacientes com endometriose no Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, provavelmente nas mulheres sem a doença o sistema imunológico elimina as células do endométrio. O diagnóstico é confirmado na biópsia realizada com o auxílio da laparoscopia, técnica também aplicada no tratamento das lesões.

“Indicamos a laparoscopia para cauterizar os focos de endométrio. E podemos receitar, por determinado período, medicamentos que interrompem a menstruação e a ação do hormônio estrogênio”, diz.

O especialista em reprodução humana Luiz Fernando Dale acrescenta que alguns médicos classificam a endometriose, também, como a doença da executiva. “Geralmente são pacientes que optaram por engravidar mais tarde, sem sucesso. O tratamento dependerá do grau da doença. A cauterização dos focos com a laparoscopia é eficaz. Dependendo do caso, receitamos drogas para o bloqueio hormonal.” Mesmo nos casos graves, Dale afirma que é possível controlar a doença e depois iniciar o tratamento para engravidar. Uma opção é a fertilização em laboratório.

“A endometriose tende a voltar, mas é de evolução lenta e podemos retardar ainda mais essa velocidade de crescimento”, diz o especialista. Na Unicamp, os médicos do Caism já utilizam a minilaparoscopia (com uma lente cinco vezes menor que o equipamento convencional) para eliminar a endometriose. “Para situações mais graves, os médicos têm a opção de induzir a menopausa temporária com medicamentos. O tratamento demora de quatro a seis meses”, diz Petta.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo