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ORIENTE MÉDIO II
Brasileiro será enterrado hoje em kibutz israelense

Jorge Balazs, que morreu no atentado a bomba na última quinta-feira em Jerusalém, será enterrado em Ashquelon, cidade próxima ao kibutz Broch Chail, onde ele viveu por 20 anos

SÃO PAULO – O brasileiro Jorge Balazs, 68, que morreu no atentado a bomba na última quinta-feira em Jerusalém, será enterrado às 16h de hoje (10h em Brasília) em Ashquelon. A cidade, cerca de 65 quilômetros ao sul de Tel Aviv, tem aproximadamente 60 mil habitantes. O local é próximo do kibutz (fazenda coletiva) Broch Chail, onde Jorge viveu por 20 anos, até 1979.

Foi em Broch Chail, conhecido como o kibutz brasileiro, que Jorge conheceu sua mulher Flora Rosembaum, 58, e teve três filhos: Aran, 33, Michael, 30 e Rinat, 28. Jorge também tinha outra filha, Deborah Brando Balazs da Costa Faria, 43, filha de seu primeiro casamento.

Desde quarta-feira passada, Deborah acompanhava o pai, a madrasta, e a irmã Rinat em uma viagem a Israel. A família fora ao país para o casamento de Aran, que mora perto de Jerusalém há três anos, com uma israelense.

O casamento estava marcado para a próxima terça-feira.

Deborah, Rinat, Flora e Jorge passavam em frente à pizzaria Sbarro, a caminho do Muro das Lamentações, em Jerusalém, quando houve a explosão. Deborah sofreu queimaduras no cabelo e nas pernas, além de ter tido dois estilhaços de vidro enterrados em uma das pernas. Flora sofreu um corte na cabeça, queimaduras e perdeu parte dos dentes. Rinat não ficou ferida.

Até ontem à noite, Flora e Deborah continuavam internadas em um hospital de Jerusalém, com despesas médicas pagas por Israel.

RETALIAÇÃO – Yasser Arafat pediu ontem que os EUA intercedam para acabar com a ocupação de Israel em regiões de Jerusalém ocupadas por palestinos.

“Nós pedimos aos EUA e à União Européia que interfiram imediatamente para proteger o processo de paz e deter a ocupação de Israel”, disse um porta-voz de Arafat, Nabil Abu Rdainah.

Ele disse que Arafat escreveu para George W. Bush e outros líderes mundiais depois que a polícia israelense ocupou a Orient House, escritório político da OLP (Organização pela Libertação da Palestina) e sede não-oficial da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em Jerusalém Oriental.

A ocupação foi realizada na manhã de sexta-feira, depois que um militante palestino provocou um atentado suicida que matou outras 15 pessoas, incluindo seis crianças, em um restaurante no centro de Jerusalém.

O governo de Israel, diante da pressão pública por uma forte retaliação, chamou a ocupação da Orient House e de outros escritórios palestinos em Jerusalém Oriental de uma resposta comedida ao atentado.

Descartou também por completo a reconquista de territórios palestinos da Cisjordânia e da faixa de Gaza. “Essa não é uma opção de curto prazo. Não creio que seja útil reconquistar os territórios palestinos. Mas tudo depende da evolução da segurança”.

O ataque suicida de quinta-feira foi reivindicado pelo grupo radical islâmico Hamas, que arafat não controla. Mas Israel acusa o presidente da ANP de não fazer esforços para conter os militantes palestinos durante a Intifada (revolta palestina contra ocupação de Israel), que já dura dez meses.

“Estou profundamente preocupado com que alguns grupos mais radicais comecem a afetar o poder de Arafat...”, disse Bush.

Ele se mostrou contrariado com oficiais palestinos, que têm pressionado a administração norte-americana a assumir um papel mais ativo nas negocições em torno da crise do Oriente Médio.

O ataque suicida de quinta-feira passada e as represálias de Israel aumentou a preocupação internacional de que a violência na região saia de controle.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo