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Pinga-Fogo
Inaldo Sampaio

Quem paga pra ver?

O PFL nunca deu muita importância ao deputado José Múcio porque ele tem o biotipo do político que todo partido gostaria de ter: fino, bom de voto e disciplinado. Nunca criou problema para o partido e jamais recusou as missões políticas que lhe foram atribuídas por Marco Maciel, das quais seguramente a mais espinhosa foi a candidatura a vice-prefeito de Jaboatão na chapa encabeça por Ulisses Tenório. Sua fidelidade ao PFL era tamanha que ele passou nove anos na dúvida sobre se deveria ficar ou sair do partido.

Em 1992, em plena campanha pela prefeitura do Recife, na qual André de Paula foi o candidato, Zé Múcio já chegara à conclusão de que não teria espaços no partido para disputar um pleito majoritário. Tinham pelo menos 11 na sua frente, dizia ele: Maciel, Roberto Magalhães, Joaquim, Krause, Inocêncio, Fiúza, José Jorge, Osvaldo Coelho, José Mendonça, Mendonça Filho e o próprio André. Tinha, à época, convite de Jarbas Vasconcelos para se filiar ao PMDB, onde poderia construir um projeto majoritário, mas permaneceu no PFL. Só criou coragem para sair em agosto de 2001.

Se ele, tão obediente, resolveu abandoná-lo, pergunta-se: o PFL vai pagar para ver a ameaça de Joaquim Francisco de que só permaneceria no partido se for candidato a senador? Aguardemos.

Quase definido

O ex-prefeito de São Lourenço, Ettore Labanca, desliga-se amanhã do PPS em solidariedade a Carlos Wilson. Ele está em campanha para deputado estadual e já começou a pedir votos para Lula (presidente), Humberto Costa (governador) e Carlos Wilson (senador). E diz que “por uma questão de gratidão” votará em José Chaves (PMDB) para a Câmara Federal. Sobre a outra vaga do Senado, diz que ainda não decidiu se deve votar em Roberto Freire.

O pragmático

Antes de escrever a carta a Marco Maciel comunicando sua saída do PFL, Zé Múcio foi aconselhado por amigos a repetir a “fórmula” Ricardo Fiúza. Fiuzão, quando decidiu entrar no PPB, primeiro saiu do PFL e depois foi avisar ao vice-presidente. Se tivesse feito o inverso, Marco, com sua saliva, o teria convencido a permanecer.

Ódio explícito

O deputado Paulo Magalhães (PFL-BA), sobrinho de ACM, acusou Carlos Wilson de ter feito um “acordo espúrio” com a ex-diretora do Prodasen Regina Peres Borges. Por esse suposto acordo, ela responsabilizaria ACM pela violação do painel do Senado, em troca de uma pena branda (suspensão por 90 dias) para a infração que praticou.

Conversa franca com ex-prefeito de Garanhuns

Batata (PSDB) teve uma conversa de amigo com o ex-prefeito Bartolomeu Quidute (Garanhuns): “Procure um pequeno partido para ser candidato porque pelo nosso você não chega”. Quidute examina o PST.

Está todo mundo de olho no seu projeto pessoal

Quinta, na Câmara Federal, ouviu-se este comentário sobre a saída de Zé Múcio do PFL: “Tem mais é que cuidar da vida dele. Os secretários políticos de Jarbas estão fazendo o quê? Cada qual cuidando do seu projeto”.

Podem indicar

Inocêncio está tentando convencer o PFL a abrir mão da vaga de vice na chapa do ministro José Serra. “O PMDB se quiser que indique”, disse o deputado, descrente das chances de vitória de qualquer candidato que tiver o apoio de FHC. A maioria da bancada federal, segundo ele, apóia a sua tese.

Menos cinco mil

O prefeito Silvino Duarte (Garanhuns) não vai mais apoiar Romário Dias (PFL) para a Assembléia Legislativa. Decidiu lançar a mulher, Aurora Cristina, provavelmente pelo PSDC. Romário está plantado eleitoralmente em todo o agreste meridional. Sem Silvino, ele terá uma baixa de 5 mil votos.

Pedro Eurico (PSDB) vê Jarbas “ nervoso” com a desagregação do PFL porque isso pode ter reflexos na eleição de 2002. A seu ver, o governador ainda “carrega o trauma” de 90, quando a “desunidade” do seu palanque, provocada pela “chapinha do PSB”, teria contribuído para a sua derrota.

O delegado de Prazeres, Alberes Félix (PSB), vereador mais votado de Moreno nas últimas eleições, será candidato a deputado estadual. Ele tem convite do PST, já que o prefeito Vavá Rufino, que pertence ao seu partido, não poderá apoiá-lo. Está tentando viabilizar a candidatura da primeira dama do município Vera Rufino.

Em suas palestras para Clubes de Rotary, Maurílio Ferreira Lima (PMDB) concluiu: eles não misturam política com religião (Garotinho) e não querem um radical (Lula) nem um panfletário (Ciro) no lugar de FHC. Por exclusão, diz ele, sobra Itamar, “que governou o país sem bagunçar o coreto de ninguém”.

Já está nas livrarias “Militares e política na Nova República”, da Fundação Getúlio Vargas, organizado por Celso Castro e Maria Celina D’Araújo. Contém 14 depoimentos de ex-ministros militares do período compreendido entre 85 e 94. Figura na lista o general Zenildo Lucena (Exército), que é pernambucano de S. Bento do Una.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo