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CRISE PEFELISTA
PFL enfraquecido para 2002

Saídas de Magalhães e José Múcio iniciam processo de desintegração do PFL que, para alguns deputados, foi planejado por Jarbas Vasconcelos

por INALDO SAMPAIO

Começou na última quarta-feira, dia 8, com a saída do deputado federal José Múcio Monteiro, o processo de desintegração do PFL. O partido chegará em 2002 extremamente debilitado e sem a sua maior liderança metropolitana, que era o ex-prefeito Roberto Magalhães. Ele se desligou na sexta-feira (10), após um processo de maturação iniciado dez meses atrás, quando foi derrotado por João Paulo (PT) para a Prefeitura do Recife.

Na visão de parlamentares da própria aliança, a “desidratação” do PFL faria parte de uma estratégia do governador Jarbas Vasconcelos (PFL) para “despefelizar” o seu Governo. Como não teve condições de operar esse rompimento, ele tratou de esvaziá-lo, retirando dele para se abrigar no PSDB apenas dois políticos em cujo ‘passe’ teria interesse: José Múcio e Roberto Magalhães.

O chamado ‘PFL carcomido’, representado pelo vice-presidente Marco Maciel e os deputados federais José Mendonça, Inocêncio Oliveira e Osvaldo Coelho, permaneceriam no partido, porém com poucos espaços no Governo. Ex-entusiastas da aliança, como o deputado federal Armando Monteiro Neto (PMDB), consideram “autofágico” este processo porque o grande prejudicado no final será o próprio Jarbas, que perdeu o controle da situação.

“Instalou-se o salve-se quem puder na aliança porque eu não conheço um só político que tenha vocação para o suicídio”, reconhece Romário Dias (PFL), presidente da Assembléia Legislativa.

DEBACLE - Antes da aliança com o PMDB, firmada em 93, o PFL era um dos mais fortes partidos de Pernambuco. Tinha em seus quadros líderes expressivos tanto na Capital como no interior. Foi o sucedâneo do PDS, que mandou no Estado 22 anos (de 1964 a 1986). Apesar da derrota em 86 para o ex-exilado Miguel Arraes, ganhou no Recife em 88 e no Estado em 90, ambas eleições com Joaquim Francisco. Foi o período áureo do partido, que culminaria com a eleição de Marco Maciel para a vice-presidência da República em 94 e a de Roberto Magalhães para prefeito do Recife em 96.

Em 98, em vez de lançar candidato próprio ao Governo do Estado, já que tinha quadros de sobra para isto e estrutura política no Estado inteiro, o partido se aliou ao PMDB. Foi o início da sua derrocada. Ficou com poucos espaços no Governo (além da vaga de vice, as secretarias de Produção Rural, Infra-estrutura, Administração e Recursos Hídricos) e assistiu impotente, no ano 2000, a vitória do PT sobre Roberto Magalhães.

Se o então prefeito tivesse vencido aquela disputa, o clima político na aliança provavelmente estaria mais tranqüilo. Ele ficaria no cargo os dois primeiros anos, desincompatibilizando-se para ser candidato a governador, e o restante do mandato seria cumprido por Sérgio Guerra (PSDB), que foi o candidato a vice. Já o governador Jarbas Vasconcelos não se candidataria à reeleição, optando pela disputa para o Senado.

Mas com o insucesso no Recife, toda essa estratégia teve que ser modificada. Marqueteiros que trabalham para o Governo concluíram que Jarbas deveria iniciar imediatamente um processo de distanciamento do PFL, cuja imagem, mais negativa do que positiva em nível nacional, estaria desgastando o seu Governo.

OPERAÇÃO - É aí que entra Sérgio Guerra. Com o aval do governador, passou a cooptar prefeitos do PSB para o PSDB, criando um clima de disputa com o PFL, em nível municipal, que terá reflexos na aliança em 2002. “Gosto demais de Sérgio Guerra. Mas a entrada do PSDB na coligação foi péssimo para a nossa aliança, porque ele trouxe os prefeitos que eram de Arraes e está criando problema com os nossos”, disse Inocêncio Oliveira a Jarbas no recente encontro que tiveram no Palácio. Jarbas ouviu calado a reclamação porque Sérgio Guerra agiu em seu nome.

“Isso é um jogo de soma zero, um processo de autofagia irreversível, que terá reflexos em 2002, cujo principal prejudicado será o próprio governador”, diz Armando Monteiro Neto, que em breve deixa o PMDB.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo