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CRISE PEFELISTA III
PSDB quer espaço do PFL no Governo

Correndo o risco de se tornar um novo Arenão, por conta das filiações de ex-pefelistas por todo o Estado, partido liderado por Sérgio Guerra planeja ganhar força num novo Governo Jarbas Vasconcelos

por INALDO SAMPAIO

O PSDB pernambucano não tem mais nada a ver com aquele partido que foi criado em Pernambuco em 1988 pelo idealismo de Cristina Tavares, Egídio Ferreira Lima, João Braga, Sílvio Pessoa, Sérgio Longman, Jaime Galvão e outros ex-peemedebistas, então desencantados com os rumos da legenda que tinha o comando de Ulysses Guimarães. O partido está se fortalecendo no Estado pelas mãos do secretário Sérgio Guerra e com o aval do Palácio do Campo das Princesas para ocupar o espaço do PFL (se é que ainda não ocupou) na aliança que governa Pernambuco.

Definido pelo deputado Armando Monteiro Neto (PMDB) como “acampamento de adesistas” e “partido de prefeitos”, o PSDB estadual, segundo o seu fundador, deputado João Braga, afastou-se da social-democracia e entrou numa fase de “barganha” desde que Sérgio Guerra e Luiz Piauhylino assumiram o controle da legenda durante a última eleição para a Prefeitura do Recife. Braga colocou seu nome no partido como candidato a prefeito, mas foi atropelado internamente pela cúpula estadual, que se aliou a Roberto Magalhães. Desencantado com os novos rumos do partido, saiu.

REFORÇO - A “expulsão” de Braga do PSDB, arquitetada pelo Palácio das Princesas, tinha por finalidade a construção de uma nova aliança um pouco mais à esquerda do que a que conduziu Jarbas Vasconcelos ao Governo do Estado em 1998. Essa nova aliança teria como cerne o PMDB (partido do governador), o PSDB (agora sob o comando de Sérgio Guerra) e, dependendo de conversações, o PPS de Roberto Freire. Sérgio Guerra acertou com Jarbas que precisaria de espaços no Governo para acomodar seus novos aliados (a maioria prefeitos eleitos pelo PSB), e o governador concordou. Criou a Secretaria Extraordinária de Assuntos Especiais, com 92 cargos, e deu ao partido.

Essa pasta está sendo usada como arma para fortalecer o partido no interior. Mas como os espaços de poder são curtos para acomodar em um mesmo município PSDB e PMDB, ou PSDB e PFL, as desavenças estão em curso.

Em Serra Talhada, terra de Inocêncio Oliveira (PFL) e do presidente do PSDB, Augusto César, os dois grupos não se unem. As divergências, que já eram grandes, se acirraram ainda mais depois da demissão de uma irmã do líder do PFL por ingerência do presidente do PSDB.

“Essa salada tinha que dar nisso. Porque representa, na prática, a ressurreição da sublegenda”, ironiza o deputado Ranilson Ramos (PPS). Mas, para o deputado Antônio Moraes, líder dos tucanos na Assembléia Legislativa, a convivência no interior poderá existir sem que haja problema para o Governo do Estado, “se houver critérios objetivos”. Ou seja, se o Governo dispensar tratamento igualitário para todos os seus aliados.

À medida em que o PSDB cresce, diminuem os espaços do PFL na aliança, mas os pefelistas não admitem isto. Os que admitem, como o líder Inocêncio Oliveira, não externam em público sua insatisfação. Levou-a pessoalmente ao governador, que ouviu em silêncio as suas queixas. Já para o deputado José Mendonça, que é um dos maiores caciques do PFL, os dois principais fiadores da aliança são o governador e Marco Maciel. “Em nome do seu equilíbrio”, disse ele, “Marco deveria conversar com Jarbas sobre essas baixas no nosso partido para que um não esmague o outro”. O deputado Armando Monteiro (PMDB) tem uma opinião um pouco diferente sobre o esvaziamento do PFL e a “pefelização” (expressão dele) do PSDB. “É o início da autofagia da aliança e, conseqüentemente, da derrocada dessas forças nas eleições de 2002”.

ACOMODAÇÃO - Nos bastidores do PFL, responsabiliza-se também o vice-presidente Marco Maciel pelo esvaziamento do partido, que está na iminência de perder novos quadros depois que Jarbas Vasconcelos, comentando a saída de José Múcio, disse que a encarou como uma “coisa natural”, acrescentando: “Se as pessoas não estão se sentindo confortáveis onde estão, a melhor medida é se afastar”. Marco, disse um deputado estadual do PFL, “deveria bater na mesa e exigir do governador mais solidariedade ao nosso partido. Ou então vamos todos para o PSDB”. Maciel chamou Romário Dias, Teresa Duere e Augusto Coutinho para uma reunião ontem (sábado) em sua residência para discutir a crise do PFL.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo