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ENTREVISTA/Carlos Wilson
“Não se ganha eleição sem Arraes”

Na próxima sexta-feira o senador Carlos Wilson (PPS) trocará mais uma vez de legenda. Vai para o PTB, partido comandado no Estado pelo seu irmão, deputado André Campos. Wilson iniciou sua carreira na Arena. De lá, foi para o PP, para o PMDB, para o PSDB e, finalmente, para o PPS. “Nesses últimos anos mudei muito de partido, mas sempre para me colocar na oposição”, diz, respondendo aos críticos. O senador nega que a razão de sua saída do PPS seja falta de espaço político, já que o senador Roberto Freire vai disputar a reeleição. Ingressará no PTB para intensificar a “luta pela unidade das oposições” em 2002, “único caminho para enfrentar os adversários e ganhar as eleições”. Ele garante seguir a orientação do PTB, que apóia a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à Presidência da República. Mas não descarta que o candidato das oposições a presidente possa vir a ser outro. “Deve ser aquele que tiver maior densidade eleitoral”, afirma, não descartando os nomes de Lula e Itamar. Quanto à sucessão em Pernambuco, Wilson afirma que a única certeza é que “o PTB será oposição ao Governo do Estado”. Também defende que as oposições tenham candidato único ao Governo. Diz, ainda, que o ex-governador Miguel Arraes é uma liderança “imprescindível a qualquer projeto das forças democráticas”, e terá de compor o palanque da oposição em Pernambuco. O senador concendeu esta entrevista a Dilze Teixeira na última quinta-feira, em Brasília.

JORNAL DO COMMERCIO – Há pouco mais de duas semanas, depois de um encontro com o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, o senhor assegurou que estava tudo bem, e que iria permanecer no partido. O que o fez mudar de idéia e trocar de legenda?

CARLOS WILSONNão mudei de idéia. Está tudo bem na medida em que nossos projetos são comuns. O PTB tem uma aliança nacional com o PPS em torno da candidatura de Ciro Gomes, e vamos manter essa aliança. O que existe, na verdade, é que o PPS se fixou na candidatura do senador Roberto Freire como a única alternativa do partido para candidato ao Senado. E eu acho que também tenho o direito de pleitear a minha reeleição. Mas muito mais importante do que minha candidatura ou a de Roberto Freire ao Senado é que a gente continue buscando a unidade das oposições em Pernambuco. E eu tenho feito isso. Aliás, quem tem feito isso, ultimamente, com muito mais intensidade é o nosso candidato, Ciro Gomes.

JC – Como?

WILSONHá uns dois ou três dias Ciro Gomes declarou que os aliados são, principalmente, o candidato Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) e o candidato Itamar Franco. Então, nós temos de construir essa unidade. O PTB em Pernambuco tem uma posição muito definida no sentido de manter a aliança, ampliar o palanque de Ciro Gomes no Estado e, depois, buscar a aliança somente no campo das oposições.

JC – Agora só falta o senhor definir a data de filiação ao PTB. Quando será?

WILSONTenho conversado muito com Ciro Gomes, que entendeu a necessidade de ampliar e melhor estruturar o seu palanque. No PTB, nós vamos fazer isso. Vou voltar a conversar com o senador Roberto Freire, com quem tenho uma ligação de amizade e de respeito político muito grande. E tenho conversado também com muitos deputados, vereadores e prefeitos, convidando-os a ingressar no PTB. É preciso que fique claro que o PTB tem um projeto de oposição tanto no nível nacional, como no estadual. Não defini a data de minha filiação porque ainda quero conversar com outras pessoas e não quero criar uma expectativa de muita grande. Quero dizer apenas que vou me filiar ao PTB, deixando bem claro que ele não será o partido de Carlos Wilson, com dono. Ele será um partido amplo com quadros importantes para a construção desse projeto nacional em torno de um candidato, que poderá ser Lula, Ciro Gomes ou Itamar Franco. Nós não podemos sair desse campo de oposição.

JC – Quem o PTB apoiará em Pernambuco?

WILSONEm Pernambuco também vamos apoiar um candidato que seja de oposição ao Governo estadual. Portanto, podemos apoiar a candidatura de Humberto Costa (PT), a de Fernando Bezerra Coelho (PPS)... O que não podemos, no PTB, é acenar com a possibilidade de qualquer aliança com o Governo do Estado.

JC – O senhor tem uma ligação muito estreita com o candidato do PT, Lula. Como é que fica isso? Há quem diga que o senhor gostaria mesmo é de apoiá-lo...

WILSONMinha ligação com Lula me deixa profundamente orgulhoso. Conheci Lula em 1989, quando ele foi candidato à Presidência da República, e criamos uma amizade e um respeito mútuo muito grande. Acho que qualquer projeto que se queira construir nesse País tem que considerar a liderança de Lula. O próprio Ciro Gomes reconhece isso. Tenho ligação estreita com as oposições, com as forças democráticas de Pernambuco. Tem gente que me cobra porque mudei muito de partido nesses últimos anos. Quero apenas que, ao fazerem essa avaliação, considerem que sempre mudei de partido para me colocar na oposição a governos. Quando eu estava no PSDB fui convidado para ser ministro de Estado e não aceitei porque o PSDB fez uma aliança conservadora, com a qual não concordei. Por isso me desliguei. Agora estou indo para um partido e digo, com toda a clareza, que esse partido tem o compromisso de compor com as forças de oposição em Pernambuco e no País. Se não fosse assim, eu não iria para o PTB.

JC – Como o senhor está vendo o quadro sucessório em Pernambuco?

WILSONAcho da maior importância que o PSB participe dessa frente de oposições no Estado. Ele tem um projeto nacional diferente do nosso, defende a candidatura de Garotinho. Mas nem por isso o PSB pode ser excluído do palanque oposicionista em Pernambuco. Nós temos, necessariamente, de conversar com o ex-governador Miguel Arraes, que é uma liderança imprescindível em qualquer palanque de oposição que se construa no Estado. Não podemos pensar em ganhar eleição sem Arraes.

JC – As eleições majoritárias em Pernambuco serão particularmente difíceis no próximo ano. O senhor admitiria, em função dessas dificuldades, disputar uma vaga na Câmara dos Deputados?

WILSONEu não fujo da luta. Quando fui candidato ao Senado, em 1994, diziam que minha eleição era impossível, e graças ao apoio dos companheiros consegui ser o senador mais votado. O que eu defendo agora, em 2002, é que a gente tenha muito mais capacidade de buscar essa unidade para eleger os dois senadores. A questão de ser candidato a deputado federal ou a senador, para mim, é a menos importante. O mais importante, repito, é a unidade que estamos buscando. Honra qualquer cidadão ser candidato à Câmara Federal, tanto quanto ao Senado Federal. Agora, eu quero construir, juntamente com o senador Roberto Freire e outros companheiros, essa alternativa para ver quem reunirá mais condições de disputar o Senado. Ninguém pode ter a veleidade de ser candidato a senador. Nosso objetivo tem de ser eleger o senador, seja ele quem for. Já disse que tenho respeito e admiração por Roberto Freire, mas será que o seu nome é o que tem maior densidade eleitoral para ganhar a eleição? Se for, ótimo porque Pernambuco continuará com um representante no Senado que só engrandece o Estado. Mas podemos ter outro.

JC – Que outro nome o senhor considera viável como candidato das oposições ao Senado?

WILSON O nome do ex-governador Miguel Arraes, por exemplo, e até outros nomes que sequer estão hoje na oposição poderão contribuir para nossa vitória. Aliás, Arraes nos ensinou que devemos sempre fazer alianças, desde que não abríssemos mão de nossos princípios políticos. Ele sempre fez isso com maestria, e durante muitos anos ganhou as eleições. Muito mais importante que nomes é a construção de uma chapa forte. O que não podemos fazer é o jogo dos adversário, pulverizando a disputa com seis, oito candidatos. Se isso acontecer, não teremos chance de vitória nas eleições. O importante, em Pernambuco, é construirmos uma aliança muito forte para se contrapor aos nossos adversários.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.08.2001
Domingo