Um dos maiores centros de peregrinação do mundo, a cidade de Fátima, em Portugal, atrai, anualmente, quatro milhões de fiéis
por MARIA LUIZA BORGES
da Editoria de Economia
Eles chegam de toda parte, principalmente quando se aproxima o dia 13 de cada mês – especialmente entre maio e outubro. Em comum, a fé católica, a devoção a Nossa Senhora e quase sempre alguma graça a pedir ou agradecer. Assim é o turismo religioso em Fátima, lugar visitado anualmente por mais de 4 milhões de pessoas, muitas delas brasileiras.
No local do santuário, onde os peregrinos crêem que a Virgem Maria apareceu a três pastores de 10, 8 e 7 anos de idade, é impossível não se emocionar. Mesmo o mais cético dos homens sente na esplanada da Cova da Iria uma energia desconhecida que parece brotar das pedras; da pequena capela no local da azinheira, árvore típica do lugar, onde a Senhora aparecia; da igreja principal que fica pequena a cada missa celebrada e da fonte de água onde peregrinos de todo o mundo recolhem o líquido, considerado milagroso.
Uma energia que contagia cada um dos pagadores de promessa que não medem esforços para mostrar sua gratidão à Virgem. Famílias inteiras percorrem a esplanada de joelhos. Outros caminham quilômetros pelas estradas em direção à vila.
SANTUÁRIO – A principal das atrações da vila, que fica a pouco mais de duas horas de Lisboa, é o Santuário de Fátima, na Cova da Iria. Hoje, a construção reúne um conjunto de edifícios e recinto ao ar livre com área de 86,4 mil metros quadrados, grande o suficiente para comportar cerca de 300 mil pessoas. A mais visitada das construções é a Capelinha das Aparições. Foi o primeiro edifício da Cova da Iria, no lugar das aparições. O local exato está assinalado por uma coluna de mármore com a imagem da Virgem.
A basílica teve sua construção iniciada em 1928. O projeto é do arquiteto holandês Gerard Van Kriechen. Foi totalmente construída com pedra da região e os altares são de mármore de Estremoz. Mede mais de 70 metros de comprimento e 37 de largura. Tem 15 altares comemorativos dos 15 Mistérios do Rosário. A basílica possui ainda um impressionante órgão de 12 mil tubos, montado em 1952.
Na capela lateral esquerda repousam os restos mortais de Jacinta e na capela lateral direita repousam os restos mortais de Francisco. Os dois – cujas fotos estão na fachada principal da igreja – estão com processo de beatificação instaurado. Uma escadaria monumental dá acesso à nave central. E a esplanada é cercada por uma via-sacra em quadros de cerâmica policromada.
Ainda no interior do santuário estão a Capela do Lausperene, onde ocorre a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento (só pode ser visitada por quem permanecer em silêncio), a azinheira grande em que os pastorinhos rezavam, esperando a Virgem, o monumento ao Sagrado Coração de Jesus (de 1932), o poço com água de Fátima (no centro da praça), o Albergue e Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores (com 300 leitos, destinados a doentes nas grandes peregrinações), a reitoria, a Casa de Retiros Nossa Senhora do Carmo (com 250 leitos), o monumento à queda do Muro de Berlim (feito com um bloco do muro original, derrubado em 1989) e o Centro Pastoral Paulo VI (com salas de 2.124 e 700 lugares, dormitórios e restaurante).
Nas imediações do santuário estão o Museu de Cera de Fátima (retratando cenas das aparições), o Museu de Arte Sacra e Etnologia e o Museu Aparições. Nos povoados vizinhos de Aljustrel e Valinhos estão as duas casas dos pastorinhos (conservadas como eram no início do século), o poço dos pastorinhos (nos fundos da casa onde morou Lúcia), a Casa-museu de Aljustrel, a Loca do Anjo e o local da quarta aparição, em 19 de agosto, assinalada por um monumento.
Toda a vila de Fátima vive do turismo religioso. Nas últimas duas décadas, os visitantes puderam testemunhar um grande desenvolvimento do lugarejo. De uma vila de pequenas casas, hoje é possível ver edifícios, principalmente nas ruas centrais. Nas proximidades do santuário, as ruas são repletas de lojas de suvenires. Ali, podem ser encontrados os famosos terços de Fátima, garrafinhas com água da fonte da Cova da Iria, imagens da Virgem, literatura religiosa e até mesmo jóias de marcassita. Os preços, para as lembranças mais simples, custam em média US$ 3.