Cercada por muralhas medievais, a Vila de Óbidos, no caminho para Fátima, é um desses lugares que parecem ter saído de algum conto romântico e nostálgico: vielas estreitas, casas de balcões floridos e uma gastronomia muito peculiar
A caminho de Fátima, também na região de Estremadura, uma das vilas que merece uma visita é a pequena Óbidos. No alto de uma colina, chama atenção a grande muralha de mais de 1.500 metros de perímetro que a circunda. Dão acesso à vila quatro portas e dois postigos. No interior da muralha, o casario antigo, ladeando vielas estreitas, de aspecto medieval.
Entre as atrações da cidade, estão o castelo do alto da montanha, o chafariz da praça e o pelourinho, a Torre do Relógio e a Igreja Matriz de Santa Maria, em frente ao chafariz e ao pelourinho. No interior da matriz, as paredes totalmente revestidas de azulejos azuis e brancos do final do século 17 e quadros reproduzindo cenas do evangelho. No teto, pinturas do final da Renascença. Também merecem visita a Igreja da Misericórdia (antiga Capela do Espírito Santo) e a Igreja de São Pedro.
O castelo de origem romana – hoje uma hospedaria de luxo – está instalado no topo de um penhasco, de onde se tem uma bela vista dos campos em torno da grande muralha. Construído ainda na Idade Média, o local sofreu várias ampliações e reconstruções. Por ser uma pousada, o acesso ao interior não é permitido. Mas vale a pena chegar até o pé do castelo, de onde também é possível ter acesso à muralha – que pode ser percorrida a pé. O percurso total é de 1.565 metros.
Ao longo das pequenas vielas, está o casario e passos da paixão, que são suntuosamente decorados para as procissões da Semana Santa. Várias das casas foram transformadas em lojas de suvenires, pequenos bares ou restaurantes, nos quais se pode degustar vinhos, licores típicos, como a ginjinha, feito com cerejas, e a culinária portuguesa.
No passado, um braço de mar chegava ao sopé da colina da Vila de Óbidos, garantindo uma temperatura amena ao longo do ano. Durante a Idade Média, havia um intenso movimento de embarcações entre o sopé da colina e o Atlântico. Com o passar dos anos, o braço de mar e os rios foram assoreados. Hoje, resta uma lagoa, a cerca de seis quilômetros da vila, onde praticam-se esportes aquáticos e há restaurantes que servem amêijoas (tipo de molusco) e ensopado de enguia. Para quem deseja passar alguns dias na região, a vila possui diversas pousadas, albergues, hotéis e hospedagem em casas de família. Também fora da muralha está o santuário do Senhor da Pedra, em formato hexagonal, e o aqueduto de mais de três quilômetros de extensão.
HISTÓRIA – A primeira ocupação no local remonta ao ano 308 a.C, quando a vila teria sido habitada por povos bárbaros, como Turdulos e Celtas. Eles foram os primeiros a edificar uma vila fortificada. Também sofreu influências de Alanos, Suevos, Visigodos e Árabes. No reinado de D. Afonso III, ainda no século XIII, iniciou-se a tradição de considerar o lugarejo “Vila das Rainhas”. Ali residiram a Rainha Santa Isabel, que recebeu a vila como presente de casamento, Dona Inês de Castro, Dona Filipa de Lencastre, Dona Catarina de Áustria, Dona Maria I, entre outras. Boa parte dos edifícios originais foi destruída com um terremoto, em 1755.