Com expectativa de atrair 25 milhões de visitantes por ano, a Disney inaugura, no Japão, seu primeiro parque inspirado no mar. Erguido ao lado da Disneylândia japonesa, o Tokyo DisneySea será aberto no dia 4 de setembro
Mickey Mouse não só já tem olhos amendoados como também vai mergulhar nas águas da baía de Tóquio. Previsto para ser inaugurado no dia 4 de setembro, com um hotel em funcionamento dentro do parque, o Tokyo DisneySea, na cidade japonesa de Urayase, será a primeira unidade da multinacional Disney inspirada no oceano. Além do famoso camundongo e de outros personagens da fábrica norte-americana de sonhos que levam a rubrica do desenhista, o parque japonês terá a réplica de uma cidade portuária da Itália. Uma montanha, como ocorre no Monte Etna, ficará expelindo fumaça incessante e furiosamente, ao lado da unidade da Disneylândia que já funciona no Japão.
É o sucesso da Disneylândia japonesa que justifica os investimentos no novo parque – da ordem de US$ 2,7 bilhões. O DisneySea deve atrair cerca de 25 milhões de visitantes por ano. A Disney nipônica mantém uma média de 17 milhões de ingressos pagos por ano. As peças publicitárias do Tokyo DisneySea procuram atrair os visitantes para o Mira Costa, um cinco estrelas erguido dentro do moderníssimo playground, reforçando a idéia de que o turista irá “continuar” no sonho, ao se hospedar no resort com vista para a Baía de Tóquio, depois de um “excitante” dia no parque.
O Tokyo DisneySea tem sua construção toda calcada em histórias do mundo antigo e do futuro, baseadas nas lendas populares sobre o mar e sobre a exploração e descobertas submarinas. São nove grandes áreas temáticas, incluindo uma região de hotéis, além do novo Mira Costa Resort.
PLAYGROUND TEMÁTICO – Na área chamada Mediterranean Harbor, estão réplicas de ruas estreitas de uma vila de pescadores do Mediterrâneo. Pode-se também tomar uma gôndola típica de Veneza e embarcar num peculiar galeão do século 16 ou em barcos a vapor. Ao todo, o Tokyo DisneySea oferece 33 atrações, dentre eles a “Aventura de Indiana Jones”. Quase um quinto dos 71 hectares do parque é subaquático. No “Jorney to the Center of the Earth”, é possível viajar numa montanha-russa por dentro de um vulcão.
Na “Costa Árabe” do parque, os visitantes podem conhecer o “exotismo” das 1001 noites e assistir a um típico show árabe de misticismo, protagonizado, claro, pelo gênio do filme Alladin. No Port Discovery, há a réplica de uma marinha do futuro, como imaginados modernos meios de transporte pela água e pelo ar. Em outra área, “The Little Mermaide Area”, os visitantes podem se deparar com outro personagem da Disney que cai como uma luva para os negócios do novo empreendimento. A sereia Ariel, do filme A pequena Sereia, é o tema dessa localidade do parque cujo eixo temático é o oceano. Na “Lost Delta River”, ruínas de uma suposta pirâmide misteriosa, descoberta na década de 30, nas ilhas caribenhas, podem ser exploradas e experimentadas por meio de um show teatral ao vivo. Assim, o parque garante atrações para várias faixas etárias ou seja, ‘fun for the whole family’, como é filosofia em todos os parques da Disney. Ariel e o gênio de Alladin, por sinal, são os dois personagens símbolos do Tokyo DisneySea.
DISNEYLÂNDIA – Já a Disneylândia Japonesa, ao lado da qual será aberto o novo parque temático, mantém a linha tradicional da Disney e privilegia áreas padronizadas da diversão que levam a assinatura da marca. Na terra da fantasia, visitantes podem visitar os castelos de personagens como a Branca de Neve e a Cinderela, ver Mickey, Pateta e o Pato Donald e encontrar parques tipo ‘fast fun’, ou seja, diversão rápida, garantida e semelhante a de outros parques do grupo, em localidades como a Terra do Amanhã, com cidades supostamente do futuro, e a Terra da Aventura, com expedições selvagens pela America Latina e suas selvas, em especial a nossa Amazônia.
NOVA IORQUE EM TÓQUIO – Na “América Water front”, os visitantes podem encontrar várias reproduções de Nova Iorque. Apesar de construído no Japão, o parque não reproduz grandes áreas sobre a cultura milenar japonesa. Pode ser considerado um sintoma da ocidentalização pela qual passa o povo japonês. Mas isso é outra história. No Tóquio DisneySea, assim como em outros parques do grupo, ninguém está preocupado com identidades nacionais. Tampouco o povo da terra do Sol nascente. A única preocupação (?) é viver a utopia norte-americana criada por Walt Disney.