Novo diretor do Museu da Cidade do Recife diz que quer mais ‘interatividade’ entre o visitante e a instituição e anuncia o projeto Estação Cultural Metrópole
por PRISCILLA DANTAS
Em breve, o Museu da Cidade do Recife, localizado no Forte das Cinco Pontas e guardião de um dos maiores acervos de peças e imagens do passado da Região Metropolitana, passará por uma significativa reestruturação. Pelo menos é isso que promete o seu novo diretor geral, Aubiergio Costa. Segundo ele, a proposta da atual gestão é transformar o local em um museu de categoria ‘terceira geração’. Isso significa fazer do lugar um espaço destinado não só à apreciação da memória da cidade (o que condiz com um museu de categoria ‘primeira geração’), mas, sobretudo, ao enriquecimento sócio-cultural dos seus freqüentadores.
“O projeto Estação Cultural da Metrópole é um conjunto de 20 outros projetos que se desdobram em várias ações. Essas medidas buscam não só angariar um maior número de visitantes, mas também consolidar a área do Forte das Cinco Pontas como uma importante explanada cultural”, garante Costa, enfatizando o caráter da iniciativa.
“O museu ganhará um novo aspecto. Pretendemos dar um tratamento urbanístico a toda aquela redondeza. Somando-se a isso, o lugar irá abrir, regularmente, as portas para apresentações de teatro, música e dança. Além de sessões de cinema”, assegura o novo diretor, afirmando que, após as mudanças, o local continuará realizando os lançamentos das obras literárias pernambucanas. “Esse tipo de evento não será cortado. O oferecimento de espaço para os escritores foi uma ação que deu certo na direção anterior”, acrescenta.
As novidades não param por aí. Aubiergio Costa assegura que o museu abrigará uma sala onde, periodicamente, será realizado um fórum de debates sobre os assuntos de interesse da população. O local, é bom lembrar, poderá ser freqüentado por deficientes físicos, uma vez que irá dispor de uma infra-estrutura voltada para isso.
Os recursos para a concretização dos projetos giram em torno de R$ 2 milhões. De acordo com Costa, eles serão obtidos por meio de um convênio com o Banco Internacional de Desenvolvimento (BID) e com instituições fomentadoras de cultura e turismo. “Já estamos encaminhando nossas propostas para esses locais. Acredito que a junção de esforços entre a união e a iniciativa privada seja algo proveitoso para qualquer trabalho”, declara.
UNIVERSIDADE E PERIFERIA – Um outro ponto de interesse para a população é que os universitários terão um papel fundamental na nova fase do Museu da Cidade do Recife. Aubiergio afirma que tem interesse em firmar parcerias com as universidades para que sejam criadas vagas de estágio para os estudantes de história e biblioteconomia. “Queremos fazer com que os universitários possam colocar em prática o que estão aprendendo. Possuímos 150 mil fotografias catalogadas e 100 mil para catalogar. Pretendemos fazer com que os estudantes organizem esse material, dando novos referenciais e criando novas interpretações”, conta. Outra medida que faz parte dos projetos é o de levar o Museu da Cidade do Recife à periferia. “Se é complicado que eles venham até nós, iremos até eles”, expõe Costa, dizendo que uma das principais ações de sua gestão é expor parte do acervo do museu nas escolas das comunidades carentes. “Com isso, queremos divulgar a história e a evolução urbanística do bairro em que vivem essas pessoas”, explica.