Museus eróticos se espalham em diversas cidades e tornam-se uma das mais curiosas atrações turísticas. O Brasil já tem o seu, em Salvador
por FABIANA MORAES
A famosa e chique rota dos museus madrilenhos – Prado, Thyssen-Bornemisza e Reina Sofia – é formada agora por mais um componente, que, diga-se de passagem, não é lá tão chique assim. O Museo Erotico de Madrid (MEM), inaugurado em outubro do ano passado, é cada vez mais visitado por turistas que, já atraídos pela aura vermelho-fogo da cidade, levam sua curiosidade (a mais sexual, digamos assim) até uma das cinco salas temáticas do espaço. Só nos seus três primeiros meses de funcionamento, o MEM recebeu sete mil pessoas interessadas em arte erótica.
Madri não está só nessa incursão a uma espécie de ‘mundo estranho mundo’ do sexo, onde predominam chicotes, objetos fálicos e imagens pouco oníricas de seios e bumbuns. Museus do sexo em lugares como Copenhagen, Shangai (isso mesmo, na China) Berlim, Amsterdã, Nova Iorque, São Francisco, Hamburgo e Brasil (temos um museu erótico funcionando em Salvador) já viraram uma procurada atração nas citadas cidades. O Museu Erótico de Salvador (MES), que funciona na Rua Frei Vicente, no Pelourinho, tem um acervo de mais de 400 peças, menos de 200 delas catalogadas. Curiosamente, uma das representações mais vistas no espaço são peças vindas de Pernambuco, mais especificamente de Tracunhaém e Caruaru.
“Um dos destaques de nossa coleção é um xadrez erótico, onde as peças são pênis e vaginas. Esse material veio de Caruaru”, diz o coordenador do espaço, o historiador Marcelo Cerqueira. Outro destaque do museu, que funciona no espaço do Grupo Gay da Bahia (GGB), é uma coleção de peças mexicanas retratando relações amorosas entre o Bem e o Mal – representados aqui por figuras angelicais e demoníacas. “Também temos o Kama Sutra africano e o clássico oriental”, continua Cerqueira, informando que a maioria dos visitantes que chegam ao museu são turistas do mundo inteiro. Até o final do ano, o MES deverá mudar de endereço: vai ocupar um sobrado no Terreiro de Jesus, centro nervoso do Pelourinho.
Um dos museus dedicados ao sexo mais famosos do mundo é o Musée Parisien de l’Erotisme, em Paris. São sete andares (numa área total de mais de mil metros quadrados) onde predominam peças vindas de todos os continentes. A localização do conhecido musée (que recebe cerca de duas mil pessoas por dia) não poderia ser melhor: o espaço, que já funcionou como um cabaré, está situado na sensual região de Pigalle, entre o Moulin Rouge e a Cigale. Mais: dois sex shops recebem seus clientes ao lado do museu, detentor de mais de duas mil peças eróticas.
Engana-se quem imaginar que as peças expostas são subprodutos da arte. O Museé de l’Erotisme já recebeu os desenhos e cerâmicas de Jean Cocteau, de Degas e ainda guarda um curiosíssimo trabalho do renomado artista Alain Rose: uma cadeira forrada em pele e dotada de um falo movido a eletricidade. Corujas fálicas do Peru e uma garrafa de champanhe denominada Marquês de Sade também podem ser vistas entre a atrações do acervo, formado por esculturas, instalações, desenhos, pinturas e várias outras formas de arte. Já na entrada, percebe-se todo o trabalho didático do museu: são mostrados os antigos quartos, cheios de detalhes em vermelho e dourado, onde as prostitutas recebiam seus clientes. A mítica mulher dos cabarés também está ali, assim como cafetões à moda antiga e até uma câmara de tortura.
A RUA DA LUZ VERMELHA – Em Amsterdã, na famosa Red Light, região coalhada de sex shops e das famosas vitrines onde ficam expostas as prostitutas sindicalizadas, funciona o Erotish Museum Amsterdã. O local é um sucesso entre os turistas. Aqui, encontram-se peças como falos gigantes, coleções literárias e manuscritos que relatam passagens históricas de sexo. Objetos sadomasoquistas também compõem a coleção (existem cintos de castidade antigos, estranhíssimos).
Talvez um dos locais mais inusitados a abrigar um museu do sexo seja Shangai (no caso, o primeiro museu erótico da China). Ali, sob gerência de Lin Zuhua, diretor da instituição, existe um acervo de mais de mil peças de porcelana que mostram casais – alguns homossexuais – em poses e situações eróticas. Vários pratos mostram orgias, aqui chamada de “instinto básico não contido”. Quem se interessar numa visita ao local, localizado no oitavo andar de um edifício no centro de Shangai, deve ficar atento: o museu já sofreu intervenções e foi fechado. É por demais ‘livre’ para a lógica chinesa. Zahua reclama do pouco e acanhado público que o espaço recebe, culpando, numa entrevista para um jornal espanhol, a obscura localização do museu e o conservadorismo de seu país. “Mas já começamos a receber umas dez pessoas por dia”, comemora o diretor.
Na Dinamarca, um dos pratos principais do Museu Erótico Copenhagen é a vida sexual de famosos como Marlene Dietrich, Clark Gable, Onassis, Joan Crawford e a indefectível Marilyn Monroe. Dos EUA, ainda chegam ilustrações de pin ups e playboys safadinhos, figuras pornográficas, miniaturas indianas em poses nada confortáveis e películas de antigos filmes (década de 30) onde se vê que a fértil imaginação recreativa-sexual já era bem difundida.