Desvalorização chega a 20% no primeiro ano. Índices maiores são registrados nos modelos de luxo, utilitários e importados, por causa do público restrito
por ANA CRISTINA LIMA
Nos tempos de economia estável, o hábito de trocar de carro todos os anos era mais frequente. Iniciar o ano com um automóvel zero quilômetro era sinônimo de status e, é bem verdade, representa pouca despesa com manutenção, já que os serviços são cobertos pela garantia oferecida pela montadora.
Hoje em dia, muita gente continua usando esse argumento para se manter atualizado, adquirindo os lançamentos. Mas será que compensa fazer a troca do carro todos os anos? Alexandre Rodrigues Costa, da Automotiva Consultoria, diz que não.
Veículo não é mais um investimento. Antes, as pessoas compravam um carro por um determinado valor e conseguiam vendê-lo por preços até maiores. Hoje, no primeiro ano de uso, os carros novos sofrem desvalorização de 12% a 20%. Alguns modelos, como os de luxo e utilitários – principalmente os importados –, têm perda maior em função do público restrito. Pelo menos, é o que explica Costa. Isso acontece porque a desvalorização de veículos novos está ligada à quantidade de modelos que estão em circulação. É exatamente por esse motivo que o Gol e o Uno, conhecidos pela baixa depreciação, têm um ótimo valor de revenda. As versões populares representam 77% dos veículos vendidos no País.
O fato também ocorre entre carros da mesma marca, diz Alexandre Costa. “O Atos tem uma depreciação menor do que outros modelos da Hyundai”, exemplifica.
Segundo Costa, o prazo ideal para ficar com um carro é de dois anos. “É nesse Período em que o consumidor faz valer o negócio”, afirma ele. Isso porque ele não terá gastos significativos com manutenção, já que as peças mais caras – como amortecedores e pneus – só precisarão de troca mais adiante. Assim, o consumidor poderá usufruir por mais tempo do automóvel, sem a preocupação dos custos para manter o carro em ordem.
USADO – Permanecer com o carro por mais de cinco anos não é o mais recomendado. Apesar de a desvalorização ir se estabilizando com o passar do tempo, os custos com a manutenção se elevam, o que torna oneroso manter o veículo em condições de circular. Adquirir modelos que estão há muito tempo fora de linha também não é o melhor negócio. Como a dificuldade de se encontrar peças é grande, muitos consumidores rejeitam a oferta, mesmo que baratas.
Mas, segundo o consultor Alexandre Costa, há aqueles modelos que não se desvalorizam. O Fusca é um exemplo. “Quem tem um sabe que não vai conseguir valor suficiente para comprar um carro mais atual. Por isso, o preço se mantém estável no mercado de usados”, explica o consultor.