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A discreta ousadia de Machado Em sua coluna do JB, Millôr Fernandes sugere que além da relação de Capitu com Escobar, em Dom Casmurro, de Machado de Assis, houve outra ligação afetiva. Discretíssima, mas pelo que ele cita, tirando do livro pequenas notinhas, podemos perceber que havia uma simpatia muito grande entre Bentinho e Escobar. Bentinho era o próprio Machado, narrador da história, que se torna amigo de Escobar, quando estavam no seminário. Millôr cita o que está na página 899 da nova edição da Editora Nova Aguillar: Durante cerca de 5m (Bentinho) esteve com a minha mão entre as suas, como se não me visse há muitos anos. Na época do lançamento do livro o clíma não era bom para se insinuar nada sobre o amor que não ousa dizer o seu nome, diante do escândalo em torno de Oscar Wilde (como Millôr também lembra) que percorreu o mundo mesmo com a precariedade das comunicações daquela época. Machado de Assis foi prudente. Hoje um demorado aperto de mão entre rapazes não é nada. Sendo ou não gays eles estão muito mais ousados na sua, digamos possível, bissexualidade. Ou para encerrar o comentário, na sua opção sexual que já não causa tanto escândalo. Basta ver a série de televisão Os assumidos. Notas O próximo número da Revista Continente Multicultural, editada pela CEP, deverá trazer uma matéria discutindo e debatendo a instalação de um Museu Guggenheim, aqui no Recife. Com os prós e os contra, é claro... Também a Revista Veja tem reportagens mostrando a batalha das deslumbradas para que consigam ter a sua foto publicada nas revistas tipo Caras, Chiques e Famosos. Os quase famosos rondam a vulgaridade e travam uma luta de vida ou morte para ter uma foto colorida publicada. A moda é no Brasil inteiro. Resultado: as caras tão repitidas e tão sem naturalidade sufocam. Maciel Em Brasília, o jornalista Rangel Cavalcanti escreveu que A chance de o governo ganhar em 2001 é aliar-se ao PFL, para viabilizar uma candidatura como a do vice-presidente da República, Marco Maciel, com biografia invejável. A propósito de Marco Maciel. Acabo de ler uma plaqueta de sua autoria sobre a Terceira Idade e Direitos Humanos, onde ele situa com rigorosa exatidão o problema que tende a crescer em cada ano. E escreveu, evidentemente fiel a sua crença e educação, que os jovens têm dentro de si o velho de amanhã. Uma realidade. Lá fora Os deputados Romário Dias e Gilberto Marques Paulo irão comandar, amanhã, o grande expediente da Assembléia Legislativa, que será dedicado aos trabalhos desenvolvidos pela Associação Arte e Vida, não só uma grande mas inteligente (e humana ou social) idéia do jovem Paulo Dalla Nora Macedo. A Arte e Vida seleciona crianças, que serão contempladas (ou tiram a sorte grande) com alimento, cuidados médicos, educação, várias noções do aprendizado de arte, descobrindo o mundo fora da favela. Bela homenagem ao autor. Vergonha Não deixa de ser uma falta de respeito e mesmo uma ignorância o que estão fazendo algumas pesquisas sobre pessoas idosas. Vez por outra, sem muita noção das coisas, um pesquisador grosseiro aborda pessoas com idade superior a 60 anos e pede desculpas dizendo que o trabalho somente pode ser feito por alguém que tenha até 59 anos. É como se o sexagenário não mais fizesse parte da vida do País, como se já estivesse esclerosado, morto, quando tantas pessoas com 60, 70 ou até mesmo com 80 anos, ainda estão trabalhando lúcidas e bem educadas. |
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