Governador de São Paulo reconhece que violência no Estado está sem controle. O prefeito de Campinas foi morto com quatro tiros, dentro do seu carro, segunda-feira à noite
CAMPINAS, SP – Cerca de 100 mil pessoas compareceram ontem ao Paço Municipal de Campinas para velar o corpo do prefeito de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, morto a tiros anteontem à noite. A violência contra o prefeito, associada às notícias dos atentados terroristas nos Estados Unidos, foram o principal tema entre os presentes à cerimônia.
A cúpula do PT compareceu em peso a cerimônia: o presidente de hora do partido, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente licenciado, José Dirceu; o presidente em exercício, José Genoíno, além de deputados federais, estaduais e até burocratas do partido.
Também estiveram presentes o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin; o ex-governador Orestes Quércia; o presidente do PSDB, José Aníbal; representantes do PL e do PFL; o secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, e a cúpula das polícias Civil e Militar, também estiverem presentes. Todos dando explicações sobre a violência no Estado. Alckmin chegou a admitir que apesar dos esforços do Governo, não há resultados.
“Há uma ação permanente da polícia no sentido de melhorar a Segurança Pública, mas não significa que a violência diminuiu”, afirmou.
Tanto a cúpula petista quanto o governador não descartaram a possibilidade de o prefeito ter sido vítima de um crime político. “A polícia já tem pistas, mas não vamos comentar nada para não atrapalhar as investigações”, garantiu o deputado Genoíno. A mesma linha seguiu José Dirceu e Lula. O único que afirmou ter certeza de uma ação política foi o ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo de Silva, o Vicentinho. “Acredito que se trata de um crime programado.”
A possibilidade de crime político não está sendo descartada, já que Toninho do PT era conhecido por contrariar interesses de grupos e sempre denunciava a prática de corrução. De acordo com o Genoíno, no segundo turno da eleição do prefeito, dois comícios foram adiados porque traficantes ameaçavam explodir o palanque.
Segundo o senador Eduardo Suplicy, Toninho teria comentado a possibilidade de sua morte com a vice-prefeita, Izalene Tiene. “Se acontecer alguma coisa comigo, você será a primeira prefeita da história de Campinas”, disse Toninho à vice. “Isso soa como uma premonição”, afirmou o senador.
Ontem, seu corpo deixou o Paço Municipal às 16h20, para ser sepultado no Cemitério da Saudade, depois de ser aplaudido por cerca de dois minutos. Foi acompanhado por milhares de pessoas, pela viúva Roseana, a filha Marina e a sua sucessora, Izalene Tiene.