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FESTIVAL
Artistas anônimos vão mostrar a cara

Prefeitura do Recife investe R$ 120 mil para ensinar produtores culturais a conseguir verbas privadas e ajudar na realização de festivais e oficinas

por ROSÁRIO DE POMPÉIA

Os inúmeros pólos artísticos que existem no Recife ganham uma oportunidade para apresentar seus ‘artistas anônimos’ a um público mais abrangente. Essa é uma das metas do Festival Multicultural do Recife, evento anunciado pela Prefeitura do Recife, ontem.

O projeto tem três objetivos fundamentais. O primeiro é mostrar a pluralidade cultural da cidade; em seguida, desconcentrar a realização de eventos apenas em determinados locais e, finalmente, democratizar a cultura, como por exemplo, levando parte do acervo dos museus para espaços nas comunidades.

O Festival Multicultural abrangerá seis Regiões Políticas Administrativas (RPAs), que englobam 94 bairros. A primeira escolhida foi a RPA3, na qual estão incluso os bairros de Casa Amarela, Alto José do Pinho e Morro da Conceição. “Escolhemos essa RPA por ela ter apontado a cultura como prioridade no Programa Orçamento Participativo e pela sua efervescência cultural”, disse o Prefeito do Recife, João Paulo. “Neste ano, vamos trabalhar apenas com uma RPA. As demais serão realizadas em 2002”, complementa o Secretário de Cultura, Roberto Peixe.

Outro ponto favorável é que nela existe mais de 200 entidades culturais atuantes, desde as tradicionais agremiações carnavalescas até as bandas populares dos mais variados ritmos, que estão sempre realizando pequenos festivais durante os fins de semanas.

ATIVIDADESA primeira parte do cronograma é o curso de Produção e Gestão Cultural, no Sítio da Trindade. “O curso suprirá uma carência de pessoas que querem realizar eventos e não sabem como adquirir renda”, disse Roger de Renor, apresentador do programa de rádio Sopa da Cidade, e que é sempre procurado para ajudar os produtores.

As aulas, que começaram anteontem, ensinarão produtores culturais a adquirir recursos com empresas privadas. O dinheiro captado contribuirá na realização de oficinas e shows que ocorrerem no Festival Multicultural. “A prefeitura investirá R$ 120 mil. O restante será captado pelos produtores”, disse Peixe.

O próximo passo é a montagem do evento com a comunidade. A partir de uma pesquisa sobre as necessidades culturais, serão programadas oficinas de dança, teatro, artes plásticas, shows ou outras modalidades que a população solicitar. Nos fins de semanas serão realizados apresentações dos trabalhos”, ressalta Peixe. “Esse projeto mostrará os bons grupos que ficam de fora dos grandes festivais”, comenta Fred 04, vocalista do Mundo Livre S/A.

No dia Nacional da Cultura e Mercado Multicultural, 5 de novembro, uma grande feira divulgará o produto resultante de todo o projeto. Alguns espaços das comunidades como o Sítio da Trindade, Museu Murilo La Grega, Sesi e Sesc de Casa Amarela e os centros livres no Morro da Conceição, Parque da Jaqueira, Largo do Mercado da Madalena servirão como palcos para a realização do evento.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.09.2001
Quarta-feira