Por causa do atentado em Nova Iorque, técnicos do Guggenheim que estão em Olinda foram orientados a aguardar novas informações sobre a viagem, prevista para o dia 20
A ida do altar-mor da Basílica de São Bento (Olinda) para o Museu Guggenheim de Nova Iorque, prevista para o próximo dia 20, vai depender de uma confirmação da cidade norte-americana. Ontem, após a divulgação da notícia dos atos terroristas nos EUA, os dois técnicos do Guggenheim que acompanhavam o empacotamento das peças, na igreja, foram dispensados do trabalho.
“No contato que eles fizeram com Nova Iorque, foi dito que os dois descansassem, conversassem com os parentes e aguardassem um novo comunicado”, informa o diretor técnico da 5ª Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Severino da Silva. O altar foi restaurado para participar da exposição Brasil: Corpo e Alma, que reunirá cerca de 800 peças do barroco brasileiro nos EUA.
A abertura da mostra está prevista para o dia 11 de outubro e o altar-mor seria transportado de avião, em duas viagens. Os técnicos do museu estarão reunidos com o Iphan hoje pela manhã, na Basílica. De acordo com o diretor nacional de Proteção do Iphan, Roberto de Hollanda, o instituto ainda não tem uma definição sobre a ida do altar para os EUA.
“De repente, esse assunto ficou muito pequeno diante da tragédia que aconteceu na cidade”, comenta. Roberto de Hollanda disse que vai esperar o museu se pronunciar para tomar uma decisão. “Não sabemos se ainda haverá a mostra ou se o evento será adiado. O museu saberá da conveniência ou não da exposição.” O abade do Mosteiro de São Bento, Dom Beda Holanda, disse que os beneditinos estão aguardando uma resposta do Iphan.
Para o secretário de Patrimônio de Olinda, Sérgio Rezende, é preciso esperar o desenrolar dos acontecimentos e saber como ficará o tráfego aéreo e as comunicações em Nova Iorque. “Não se pode tomar decisões precipitadas”, diz. Frederico Pernambucano de Melo, da Fundação Joaquim Nabuco (instituição responsável pela restauração do altar-mor) afirma que, “provavelmente, o atentado terá repercussão na mostra, mas qualquer decisão, agora, seria prematura”.